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10/12/2006 - 17h30

Os horrores da Caravana da Morte

SANTIAGO, 10 dez (AFP) - O caso da "Caravana da Morte", causa do primeiro julgamento aberto no Chile contra o ex-ditador Augusto Pinochet, é uma das páginas mais negras da repressão desatada por seu regime militar entre setembro de 1973 e março de 1990.

O juiz Juan Guzmán Tapia, que abriu o processo contra o general Pinochet em 29 de janeiro de 2001, o manteve sob prisão domiciliar durante seis semanas por sua responsabilidade em 75 fuzilamentos dessa comitiva militar.

Dessas execuções, 57 figuram a como "homicídios qualificados" e 18 como seqüestros, delito este que está excluído de uma lei de anistia ditada por Pinochet em abril de 1978.

No início de outubro de 1973, no mês seguinte ao cruel golpe que o instalou no poder por 17 anos, Pinochet ordenou essa missão e a nomeou como seu delegado e chefe de caravana o general Sergio Arellano, também submetido a processo pelo juiz Guzmán Tapia.

A comitiva percorreu o território chileno de sul a norte, em um helicóptero Puma do Exército. Em sua passagem por Cauquenes, La Serena, Copiapó, Antofagasta e Calama, executou os prisioneiros, muitos dos quais já haviam sido condenados a penas de prisão pelos conselhos de guerra que funcionaram imediatamente depois do golpe militar.

"A 'Caravana da Morte' foi o ato fundacional da ditadura", disse à AFP a escritora e jornalista Patricia Verdugo, autora do livro "Los Zarpazos del Puma", que reconstruiu o percurso da comitiva de fuzileiros.

Além de Arellano, integravam a "Caravana da Morte" os coronéis Sergio Arredondo e Marcelo Moren Brito, o capitão Patricio Díaz Aravena, o tenente Armando Fernández Larios e outros oficiais.

Todos eles, com exceção de Fernández Larios que fugiu para os Estados Unidos em 1987, foram indiciados pelo juiz Guzmán Tapia, que ordenou sua prisão em unidades militares ou em seus domicílios.

A "Caravana" iniciou suas execuções em 4 de outubro em Cauquenes (sul) e concluiu sua macabra missão no dia 19, em Calama, norte do país.

Em vários casos, a comitiva retirou detidos de prisões locais e os levou para regimentos ou arredores dessas cidades para matá-los.

O general reformado Joaquín Lagos, chefe militar de cidades em que a missão militar atuou, revelou que as vítimas do pelotão de fuzilamento eram destroçadas.

"Eles as fuzilavam por partes. Primeiro nas pernas, depois nos órgãos sexuais, depois o coração. Sequer havia tiro de misericórdia", contou em uma entrevista à Televisión Nacional.

Durante o interrogatório feito pelo juiz, em 23 de janeiro de 2001, Pinochet negou ter conhecimento dos homicídios e atribuiu a responsabilidade a seus subalternos, os chefes locais das guarnições militares.

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