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12/12/2006 - 17h35

Bachelet, a grande ausente no funeral de Pinochet

SANTIAGO, 12 dez (AFP) - A presidenta chilena, Michelle Bachelet, que durante o regime de Augusto Pinochet foi detida e torturada numa das prisões clandestinas, apresentou um programa de apoio às médias e pequenas empresas no momento em que foram iniciadas as cerimônias pela alma do ditador.

Bachelet realizou todas suas atividades com normalidade e embora tenha convocado a imprensa para o lançamento do programa, em nenhum momento respondeu a perguntas dos jornalistas, que pediam insistentemente para que se referisse aos funerais do general, a quem negou honras de Estado.

À tarde Bachelet previa seguir com sua agenda e reunir-se com o ex-presidente Patricio Aylwin, e também assistir à cerimônia de graduação de aspirantes à polícia civil, mantendo o mutismo durante os dois atos.

Bachelet evitou qualquer referência à morte de Pinochet, domingo, no Hospital Militar de Santiago, e apenas na segunda-feira fez apenas menção à questão dos funerais, quando no meio de uma cerimônia oficial no palácio presidencial de La Moneda defendeu a decisão de negar a ele as homenagens do Estado.

Com o cuidado a todo o momento para não mencionar o nome de Pinochet, disse que quando no país não existem normas que o exijam, os governantes tinham que "tomar decisões pensando no país".

Já na campanha eleitoral Bachelet havia afirmado que, como vítima da ditadura, "se sentiria violentada" em prestar homenagens ao ex-general, que morreu no Hospital Militar, aos 91 anos, em seguia a um infarto.

Em meio a esse cenário, nove meses depois de ter assumido o poder, Bachelet manteve sua decisão e se negou a prestar homenagens a Pinochet como chefe de Estado, que incluíam a decretação de luto nacional.

As cerimônias foram realizadas pelo Exército, que o homenageou em sua qualidade de ex-chefe da instituição, com uma cerimônia estrita ao protocolo militar mas assitida por millhares de partidários do ex-ditador.

Quando Bachelet era uma jovem estudante de medicina, em janeiro de 1975, foi detida junto com a mãe, Ángela Jeria, por agentes do regime de Pinochet, que as levaram ao cárcere secreto de Villa Grimaldi em Santiago.

Meses antes, seu pai, o militar Alberto Bachelet, havia falecido em prisão vítima de torturas infligidas pelos mesmos companheiros de armas que o acusaram de "traição à pátria" por manter-se leal ao presidente deposto Salvador Allende.

Embora nunca tenha admitido ter sido torturada, Bachelet disse que este foi um dos períodos mais difíceis de sua vida. Sua mãe, no entanto, reconheceu ter sido submetida a torturas.

Ambas foram exiladas e precisaram refugiar-se na Alemanha, onde permaneceram até 1979.

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