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02/01/2007 - 16h37

Ban Ki-moon diante de uma série "intimidante" de crises internacionais

Por Hervé Couturier=(FOTO)= NOVA YORK (Nações Unidas), 2 jan (AFP) - O novo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse nesta terça-feira estar intimidado pelas múltiplas crises que atingem o mundo, do Oriente Médio à Coréia do Norte, mas determinado a enfrentá-las, colocando a de Darfur no topo da lista de prioridades.

"Assumo num momento intimidador nas questões internacionais", disse ele à imprensa por ocasião de seu primeiro dia de trabalho na sede nova-iorquina das Nações Unidas, onde exercerá um mandato de cinco anos.

Entre as crises internacionais que terá de enfrentar, Ki-moon, ex-ministro sul-coreano das relações exteriores, de 62 anos, destacou Darfur, depois o Oriente Médio, o Líbano, o Irã, o Iraque, a Coréia do Norte e "várias outras".

"Todos esses desafios, disse Ban, devem ser enfrentados coletivamente, mobilizando esforços e sabedoria de maneira coletiva".

"Ninguém, nem mesmo o secretário-geral da ONU, pode enfrentar sozinho esta crise. Nenhum país pode enfrentá-la sozinho, mesmo o mais forte, o mais potente, o mais rico em recursos", acrescentou, numa alusão aparente aos Estados Unidos, cuja decisão de prescindir da ONU para lançar a guerra no Iraque traumatizou a organização mundial.

"A situação de crise em Darfur figura no primeiro lugar de meu programa de trabalho, dedicarei minha atenção imediatamente a esta crise", disse.

Destacou que se reunirá na quarta-feira com o representante especial interino da ONU no Sudão, Jan Eliasson, e que depois participará de uma cúpula da União Africana (UA) na segunda quinzena do mês, durante a qual pretende manter conversas com o presidente sudanês, Omar el-Bechir.

"Ao me envolver no processo diplomático, espero que estejamos em condições de resolver pacificamente e o mais rapidamente possível esta questão muito séria", declarou Ban.

Ex-presidente da assembléia-geral da ONU e ex-ministro sueco das Relações Exteriores, Eliasson foi designado em dezembro representante interino até a nomeação de um representante permanente para substituir o neozelandês Jan Pronk. Este último foi expulso de Cartum em outubro por ter criticado a eficácia do Exército sudanês em Darfur e pedido a atuação de uma força da ONU nessa região.

O presidente Bechir afirmou em dezembro, numa carta ao predecessor de Ban, Kofi Annan, seu apoio a um plano de paz de três fases para Darfur, província ocidental de do Sudão, embora não esclarecesse se aceitava ou não o envio de uma força de 20.000 capacetes azuis.

Nessa carta, ele ressaltava a disposição de seu governo de "iniciar imediatamente" a aplicação do plano de paz para Darfur, aprovado durante reuniões em novembro na Etiópia e na Nigéria.

Esse plano contempla a criação de uma força de paz mista, formada por tropas da UA e da ONU.

A guerra e suas conseqüências em Darfur provocaram 200.000 mortes desde fevereiro de 2003 e dois milhões de refugiados, segundo a ONU, dados questionados pelas autoridades sudanesas.

Ban também prometeu se envolver na questão norte-coreana, da qual estava encarregado quando exercia o cargo de chefe da diplomacia de seu país. "Enquanto secretário-geral, me esforçarei, em primeiro lugar, para facilitar um progresso tranqüilo das negociações a seis", disse ele.

"Discutirei profundamente esta questão com as seis partes e com os membros do Conselho de Segurança, desempenhando meu próprio papel", acrescentou.

As negociações a seis (China, as duas Coréias, os Estados Unidos, o Japão e a Rússia) visam a convencer a Coréia do Norte a renunciar a seu programa nuclear. Elas foram retomadas em Pequim no dia 18 de dezembro depois de uma interrupção de 13 meses, mas terminaram quatro dias depois sem resultados.

Interrogado sobre se aprovava a execução de Saddam Hussein, Ban respondeu prudentemente, lembrando que o ex-ditador iraquiano havia cometido "crimes odiosos e atrocidades inumeráveis" e exortando a "não esquecer suas vítimas".

Sublinhando que a questão da pena de morte era da jurisdição dos Estados-membros, ele emitiu a esperança de que estes respeitem "todos os aspectos do direito internacional".

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