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10/01/2007 - 12h42

Ex-detentos europeus de Guantánamo estão livres, mas não esquecem os abusos

LONDRES, 10 jan (AFP) - Cinco anos depois da abertura do centro de detenção de Guantánamo, quase todos os muçulmanos europeus que estiveram presos neste local recuperaram sua liberdade e foram absolvidos pela justiça, mas continuam denunciando as violações dos direitos humanos sofridas durante sua permanência na prisão.

De volta à Europa, os nove britânicos, o alemão, o dinamarquês e o sueco detidos durante vários anos no centro de detenção da base militar americana instalada no sul de Cuba viram os processos judiciais contra eles se extinguirem.

O Supremo Tribunal espanhol anulou em julho de 2006 uma condenação a seis anos de prisão ditada contra Hamed Abderrahman.

Seis dos sete franceses que foram libertados entre julho de 2004 e março de 2005 -o sétimo foi encarcerado sem acusação-- ainda podem ser condenados. Seu julgamento foi adiado para maio de 2007 à espera de "informações complementares".

Os detentos europeus de Guantánamo, devolvidos aos seus países pelos Estados Unidos ou simplesmente libertados, apresentam perfis diversos. Alguns haviam estado em campos de treinamentos afegãos, enquanto outros asseguram ter sido vítimas das circunstâncias em Afeganistão e Paquistão.

Os franceses Morad Benchellali, de 25 anos, Nizar Sassi, de 26, e Brahim Khadel, de 36, haviam passado pelos campos afegãos. Os pais do primeiro haviam sido envolvidos em 2004 em processos por terrorismo.

Khadel, mais comprometido, queria defender "um Estado islâmico", enquanto que o dinamarquês Sliman Hadj Abderahman, de 32 anos, libertado em fevereiro de 2004, tinha ido por convicção religiosa a um campo de treinamento talibã no Afeganistão.

Já o sueco Medhdi Ghezali, de 27 anos, foi preso em dezembro de 2001 no Paquistão, quando, segundo ele, tinha ido visitar um amigo e estudar o Alcorão. Foi então que moradores da região o capturaram e o entregaram à polícia paquistanesa, que por sua vez o deixou nas mãos das forças americanas.

De qualquer maneira, todos eles relatam os mesmos abusos sofridos em Guantánamo: socos, chutes, "insultos", "cusparadas", "ataduras no teto pelas mãos", interrogatórios sob a ameaça de cães, medicamentos em excesso com efeitos secundários...

Apelidado de "talibã de Bremen", o alemão Murat Kurnaz passou quatro anos em Guantánamo, embora logo tenha sido estabelecido que não tinha vínculos com grupos terroristas. Este ex-preso denunciou torturas físicas, incluindo "descargas elétricas nos pés", e psicológicas.

Rhuhal Ahmed, Asif Iqbal e Shafiq Rasul, todos eles de origem paquistanesa e moradores de Tipton (centro da Inglaterra), descreveram as agressões sexuais e humilhações de caráter religioso sofridas pelos homens detidos nesta base, assim como os métodos de interrogatório brutais que geravam falsas confissões.

A história destes três homens, detidos sem acusações durante dois anos na base, foi o tema do filme "The road to Guantanamo" (Estrada para Guantánamo), do cineasta britânico Michael Winterbottom, que ganhou o Urso de Prata no último Festival de Cinema de Berlim.

Segundo dados do Pentágono que datam de dezembro de 2006, cerca de 380 detidos deixaram Guantánamo desde 2002, onde restam cerca de 395 presos.

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