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12/01/2007 - 12h21

Temor na Grécia por retorno do terrorismo após atentado contra embaixada dos

EUAPor Catherine BoitardATENAS, 12 Jan (AFP) - O atentado contra a embaixada dos Estados Unidos em Atenas fez temer o ressurgimento do terrorismo de extrema-esquerda na Grécia, apesar do desmantelamento dos grupos históricos, entre eles o 17 de Novembro (17N).

O ministro de Ordem Pública, Vyron Polydoras, afirmou que um desconhecido reivindicou o ataque em nome do grupo grego Luta Revolucionária (cuja sigla em grego é EA), o que foi levado muito a sério pelos políticos.

O ministro lamentou a "tentativa de ressuscitar o terrorismo" histórico que afetou o país desde final da ditadura dos Coronéis, em 1974, até o fim do grupo 17N em 2002 e de outra grande organização, a Luta Popular Revolucionária (ELA), um ano mais tarde.

"Os autores quiseram dizer: podemos atingir a embaixada", disse o ministro, que considerou o atentado como uma ação "simbólica" contra um dos locais mais protegidos de Atenas.

Se os atentados menores contra alvos "imperialistas", policiais e econômicos nunca terminaram de fato na Grécia, a Luta Revolucionária, que surgiu em setembro de 2003, se caracteriza por sua crescente radicalização.

Em 30 de maio de 2006, o grupo explodiu uma bomba perto da casa do ministro da Cultura e ex-ministro da Ordem Pública, Georges Vulgarakis, anunciando sua vontade de "executá-lo".

Segundo o texto da reivindicação, a ação destinou-se a protestar contra a colaboração do governo conservador na "guerra contra o terrorismo" dos Estados Unidos, o que expôs a Grécia ao risco de "represálias islâmicas". Além disso, acusava os americanos de "atos de guerra" contra muçulmanos e árabes.

Os meios de comunicação gregos destacaram que o atentado desta sexta-feira ocorreu um dia depois do aniversário de cinco anos da existência de Guantánamo e do anúncio de um envio de reforços americanos ao Iraque.

O grupo terrorista Luta Revolucionária mostrou sua audácia e sua capacidade de atuação com um atentado contra uma delegacia de polícia de Atenas 100 dias antes dos Jogos Olímpicos de 2004.

A embaixada americana foi em 1996 alvo de um ataque com foguete reivindicado pelo 17N. Dezesseis membros do grupo, condenados em primeira instância a fortes penas, estão sendo atualmente julgados.

O 17N reivindicou um total de 23 assassinatos, cinco deles de funcionários americanos da embaixada.

Segundo os especialistas, após o desmantelamento do grupo, a extrema-esquerda tratou de preencher o vazio, num país onde esta ideologia conserva a auréola de um prestígio vinculado à luta contra a ditadura apoiada pela CIA americana.

Depois de anos de acusações de inatividade com relação aos grupos terroristas, as autoridades gregas reforçaram consideravelmente o dispositivo de segurança por ocasião dos Jogos Olímpicos de 2004.

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