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27/01/2007 - 15h24

Cientistas de todo o mundo se reúnem para discutir o aquecimento global em

ParisPor Anne Chaon=(FOTOS)= PARIS, 26 jan (AFP) - Cerca de 500 cientistas do mundo inteiro vão se reunir na segunda-feira em Paris para fazer um diagnóstico sobre a "bomba climática": o aquecimento do planeta que já começou e, principalmente, o que está por vir.

O Grupo intergovernamental de especialistas sobre a evolução do clima (Giec), coordenado pela ONU, vai trabalhar quatro dias na Unesco para publicar na próxima sexta-feira, dia 2 de fevereiro, o capítulo científico de seu quarto relatório, verdadeira "bíblia" de conhecimentos climáticos que servirá de referência para os cinco próximos anos.

Este novo relatório, que está sendo elaborado já há dois anos, não deve reservar "nenhuma boa notícia": "É uma confirmação de tudo o que vem sendo dito há tempo, mais com riscos extras", segundo o climatologista francês Hervé Le Treut.

Derretimento das geleiras, diminuição das camadas de neve nas montanhas, desprendimento de placas de gelo das calotas polares e aumento do nível dos oceanos são algumas das conseqüências do aquecimento que podem também, por "retroação", acelerar estes mesmos processos.

Os climatologistas suspeitam que, além dos "efeitos de base", estes fenômenos podem intensificar o aquecimento, segundo Edouard Bard do Collège de France.

O último relatório do Giec, em 2001, afirmou que as temperaturas médias mundiais podem aumentar de 1,4ºC a 5,8°C daqui até o fim do século em relação a 1990. "Em relação a 2001, o exercício será maior e mais completo e fará um esforço para apresentar resultados em probabilidades: isso quer dizer o grau de confiança atribuído aos termos de uma escala dada", indicou Serge Planton, diretor de pesquisa climatológica da Météo-France. O termômetro do planeta já ganhou 0,8°C em um século, a metade disso nos últimos trinta anos. "Exceto 1996, todos os anos desde 1995 foram mais quentes que todos os anos em mais de 140 anos", ressaltou o climatologista francês Jean Jouzel, membro do Giec.

E para a comunidade científica, esta aceleração do aquecimento constatada nas últimas décadas não pode ser explicada somente pela variação natural do clima. Uma boa parte dos gases causadores do efeito estufa lançados na atmosfera é decorrente da atividade humana, o que impõe uma reação por parte dos dirigentes do mundo.

Portanto, um resumo de dez páginas do relatório dos cientistas reunidos na capital francesa, que dirá o essencial e o mais claramente possível, será enviado aos líderes de todo o mundo, segundo Jean Jouzel.

Este resumo servirá de base para a ação internacional em defesa da redução das emissões dos gases poluentes no mundo, listados pelo protocolo de Kyoto.

"Até agora, o aquecimento médio como é mostrado pelas simulações é da ordem de 3°C em 2100. Mas tudo dependerá dos cenários de redução das emissões dos gases poluentes", que variam segundo as escolhas econômicas, a demografia e também da diplomacia, indicou Edouard Bard.

A União Européia já se convenceu das convicções dos especialistas reunidos em 2005 em Exeter, no Reino Unido: acima de 2°C suplementares, o planeta terá dificuldades de se adaptar.

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