UOL Notícias Notícias
 

29/01/2007 - 10h04

Cientistas se reúnem em Paris para avaliar o alcance do aquecimento global

Por Anne Chaon=(INFOGRAFIA + FOTOS)= PARIS, 29 jan (AFP) - A reunião mundial do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês) começou nesta segunda-feira em Paris, com o objetivo de divulgar na próxima sexta-feira um relatório sobre o aquecimento global nos próximos cinco anos.

Os 500 delegados do IPCC, reunidos pela ONU, devem redigir um texto destinado aos líderes mundiais que será a síntese de um informe científico de mil páginas.

Cada parágrafo do documento será debatido e negociado pelos participantes antes de ser aprovado por consenso e apresentado no dia 2 de fevereiro.

"O trabalho do IPCC não tem equivalente em outras áreas de nossa sociedade", destacou na cerimônia de abertura o representante francês, Christian Brodhag.

"A reunião constitui uma oportunidade de diálogo entre especialistas e governos que serão chamados a utilizar estas informações", declarou o secretário-geral adjunto da Organização Meteorológica Mundial, Jeremiah Lengosasa.

"A mudança climática é uma realidade", destacou Brodhag, que advertiu contra "a dúvida, que muitas vezes é o álibi da inação".

No relatório anterior, de 2001, o IPCC apontou uma possível alta da temperatura média do planeta de +1,4 grau a +5,8 graus até 2100, em uma comparação a 1990, segundo os cenários socioeconômicos contemplados.

O novo informe deve reafirmar estas previsões e mencionar novos índices de confiança.

Segundo os dados que circulavam antes da reunião, os cientistas poderiam anunciar um aumento de temperatura de entre 2 e 4,5 graus, provocado pela duplicação das concentrações de CO2 na atmosfera em 2100 (550 partes por milhão) em relação à era pré-industrial.

O IPCC nunca comenta os vazamentos para a imprensa de seus rascunhos de relatório, que podem receber emendas até o último momento.

Como forma de comparação, destacam os especialistas, a temperatura atual do planeta é apenas cinco graus superior à da era glacial, que terminou há 10.000 anos.

O IPCC, criado em 1988 pela ONU e a Organização Meteorológica Mundial, pretende ser uma "correia de transmissão" entre o mundo da pesquisa e o dos governantes. Seus informes, que constituem a fonte mais vasta de conhecimiento possível sobre o tema são reconhecidos pelos 192 Estados membros da ONU.

Com base em seus primeiros trabalhos, a comunidade internacional elaborou em 1992 a Convenção da ONU sobre a Mudança Climática e em 1997 o Protocolo de Kyoto de combate ao efeito estufa, que expira em 2012 e não foi ratificado pelos Estados Unidos, maior poluidor mundial.

O informe deste ano, que mobiliza há mais de dois anos 2.500 estudiosos, servirá de base científica para as negociações "pós-Kyoto".

O termômetro mundial ganhou 0,8 grau desde o começo do século XIX, com uma clara aceleração nos últimos 30 anos, que os cientistas atribuem cada vez mais aos gases com efeito estufa emitidos principalmente pelas energias fósseis (gás, petróleo, carvão).

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host