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29/01/2007 - 17h30

Mãe do camicase de Eilat está orgulhosa do seu filho

Por Adel Zaanoun=(FOTO)=BEIT LAHYA, Faixa de Gaza, 29 jan (AFP) - Rueida está orgulhosa da morte "honrada" de seu filho. Ela sabia que ele "ia para o martírio", e rezava para que ele conseguisse. Deus a escutou: Mohammad acionou a bomba que carregava nesta segunda-feira em uma padaria de Eilat.

No retrato mostrado por sua mãe, Mohammad al-Siksek, 21 anos, era alto e barbudo.

"Ele saiu de casa na manhã de sábado e me disse que ia para o martírio. Beijei ele chorando e rezei para que ele conseguisse", relata Rueida, mãe de oito outros filhos.

Antes de deixar sua casa, em Beit Lahya, Mohammad disse a sua mãe que os combates entre movimentos palestinos eram "um crime que somente beneficia ao inimigo", lembra ela.

Rueida está "orgulhosa" com o fato de seu filho ter "atacado o inimigo, e não ter morrido nos vergonhosos enfrentamentos" entre o Fatah e o Hamas. Ela elogiou sua morte "honrada".

Ao contrário, a viúva de Mohammad, Chayda, está em estado de choque. Ela não tem palavras para explicar sua tristeza. Há um mês, ela perdeu sua filha única por causa de uma doença.

"Podemos andar de cabeça erguida após esta corajosa operação de martírio", afirma Naim, 25 anos, um dos oito irmãos do camicase.

Ele diz não saber como seu irmão conseguiu chegar a Eilat desde a Faixa de Gaza. Ele não tinha autorização para entrar em Israel, e o ponto de passagem de Rafah, na fronteira com o Egito, está fechado desde o dia 8 de janeiro.

O ministro israelense da Segurança Interna, Avi Dichter, afirmou que o camicase entrou em Eilat pelo Sinai egípcio. Já a Jihad Islâmica, que reivindicou o atentado, disse que ele passou pela Jordânia, o que Amã desmentiu.

O fato de Mohammad ter conseguido chegar a Eilat "prova que as restrições e os controles israelenses não impedem os combatentes de cumprir sua missão", acredita Naim.

No quarto de Mohammad al-Siksek, uma grande foto de Fathi Chakaki - o chefe da Jihad Islâmica assassinado por agentes israelenses em Malta em outubro de 1995 - está pregada na parede, ao lado de imagens de outros "mártires", entre eles Nader Abu al-Umrein, um amigo do camicase morto pelo exército israelense em 2004.

Abu Abdelqader, um vizinho da família Siksek, pensa que haverá uma resposta israelense ao atentado, "mas talvez não agora, porque os israelenses gostam de ver os partidários do Fatah e do Hamas se matarem entre eles".

O atentado suicida, o primeiro em Israel desde abril de 2006, deixou três mortos, além do camicase, e foi cometido na padaria de um centro comercial de Eilat.

O ataque foi reivindicado pela Jihad Islâmica e pelas Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, ligadas ao Fatah.

Segundo o porta-voz da Jihad Islâmica, o atentado foi perpetrado "em resposta aos assassinatos covardes de dezenas de líderes da Jihad Islâmica e das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, e das incursões israelenses".

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