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31/01/2007 - 17h09

Mudança climática: aumento dos perigos para futuros refugiados

Por Marlowe Hood=(FOTO)= PARIS, 31 jan (AFP) - A mudança climática se traduzirá em secas agudas, inundações, ciclones e uma alta do nível dos mares, o que provocará a fuga de milhões de "refugiados do clima" dentro de algumas décadas, segundo especialistas.

"O problema dos refugiados ambientais promete se tornar uma das piores crises humanitárias", segundo Norman Myers, professor da Universidade de Oxford.

Os refugiados poderão ser as populações de inuits (aborígines do Ártico), ameaçadas pelo derretimento do gelo na Groenlândia, as populações da África Central confrontadas com o desastre ecológico que afeta a bacia do Lago Chade ou as milhares de vítimas do furacão Katrina em Nova Orleans. Segundo um estudo das organizações de assistência Cruz Vermelha e Crescente Vermelho, no ano 2000, o número de refugiados ambientais já era, pelo menos, equivalente ao dos refugiados de guerra, ou seja, cerca de 25 milhões de pessoas. "Com a aceleração do aquecimento climático, este dado poderia duplicar até 2010 e atingir 200 milhões de refugiados até o fim do século", afirmou o professor Myers, referindo-se ao relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) de 2001.

"Haverá um grande movimento populacional provocado pelo clima", comentou Thomas Downing, diretor do Instituto Ambiental de Estocolmo.

Durante a conferência sobre o clima realizada em Paris esta semana, foram lembrados os casos de Tuvalu, no sul do Oceano Pacífico, e das Maldivas, no Oceano Índico, onde a perspectiva de um aumento da temperatura global de 3 graus ou mais (para uma concentração de CO2 duas vezes maior do que a da era pré-industrial, hipotése provável até o fim do século) representa uma tripla ameaça.

A curto prazo, o aquecimento dos oceanos provocaria a morte dos corais, dos quais dependem os moradores destas ilhas para pescar, mas também para atrair os turistas.

A diminuição das chuvas afetaria os recursos de água potável. E a elevação do nível do mar entre 28 e 43 centímetros até o fim do século, segundo os cenários, submergiria estas ilhas.

Em Bangladesh, a elevação das águas devastaria as planícies férteis populosas, varrendo as residências de dezenas de milhões de pessoas e ampliando dramaticamente a temporada de ciclones que atinge regularmente o país.

A definição de "refugiado do clima" embaraça cientistas e políticos. "Se o estatuto de um refugiado é dado pela elevação do nível dos oceanos, então é o clima que está em questão", disse Richard Klein, coordenador de pesquisas sobre o clima no Instituto Estocolmo, na Suécia.

"No entanto, não podemos dizer que uma pessoa que foge da pobreza ou da seca, fenômenos muitas vezes causados por conflitos, é um refugiado da mudança climática", acrescentou.

"Não há reconhecimento legal das pessoas deslocadas por razões ambientais" e não há tratado internacional para protegê-las, lamentou Stéphanie Long, diretora adjunta do filial australiana da associação Amigos da Terra.

Para o professor Downing, principal colaborador do capítulo sobre migrações da 2ª versão do relatório do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática (IPCC) sobre o impacto da mudança climática, cuja publicação é aguardada em abril, tanto os cientistas quanto os políticos têm tendência a evitar a questão. "Os refugiados ambientais ou climáticos não estão identificados como uma das questões chave do relatório de abril, ao contrário do que ocorre com o desenvolvimento sustentável e a pobreza", comentou. "O IPCC deve avaliar os maiores riscos e os refugiados são parte do problema na medida em que afetam a estabilidade mundial", advertiu o professor Downing.

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