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02/02/2007 - 18h03

Relatório sobre mudança climática atribui ônus da ação a EUA e China

Por Richard Ingham e Anne Chaon PARIS, 2 fev (AFP) - Os novos alertas sobre a mudança climática, publicados nesta sexta-feira, em Paris, pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês) atribuiu o ônus da ação aos Estados Unidos e à China, os dois maiores emissores de carbono do mundo, afirmam analistas.

Os dois países mais ricos e mais populosos do mundo aumentaram suas emissões de gases de efeito estufa e ambos têm agora a chave para determinar se os esforços globais para deter o aquecimento climático terão êxito ou irão fracassar.

O novo relatório do IPCC "mostra que a situação claramente piorou", disse um diplomata europeu à AFP.

"A questão agora é como traduzir esta meta em um regime internacional capaz de conter as emissões de carbono", afirmou.

"Os países desenvolvidos precisam assumir a liderança, mas a questão é se os Estados Unidos irão encarar seriamente o retorno às negociações internacionais. O esforço também implica reduções de emissões de grandes países em desenvolvimento, especialmente a China", acrescentou.

Apesar de suas falhas, complexidades e críticas, o único acordo existente para controlar as emissões de carbono é o Protocolo de Kyoto.

Contudo, em sua forma atual, o tratado conseguiria escassamente progressos contra os gases de carbono que estão se acumulando invisivelmente na atmosfera, prendendo perigosamente o calor solar.

Uma razão é que tanto os Estados Unidos quanto a China, por razões diferentes, estão fora das restrições impostas por Kyoto.

Os Estados Unidos abandonaram o protocolo em 2001, alegando que não ratificariam o tratado por contrariar os interesses americanos, dado o alto custo da conversão para um uso mais limpo de energia.

Outra alegação é a de que o pacto era injusto porque grandes países em desenvolvimento não têm a exigência de atender às metas de cortes de poluição. Estas reduções se aplicam apenas aos países industrializados, cuja queima de petróleo, gás e carvão é a grande responsável pelo aquecimento climático.

O Protocolo de Kyoto expirará em 2012 e conversações estão sendo celebradas sobre compromissos pós-2012, que devem estabelecer um mecanismo que resulte em cortes maciços.

Segundo algumas estimativas, as emissões atuais precisam ser cortadas pela metade globalmente até 2050 para restringir a elevação da temperatura até 2100 em 2ºC em comparação com níveis pré-industriais, uma alta que muitos cientistas alertam poder não garantir a segurança.

Mas como funcionaria este mecanismo?

Se as iniciativas voluntárias ou regionais para enfrentar um problema global fracassarem, a tarefa seria encorajar os Estados Unidos a voltar para o âmbito de Kyoto ou, pelo menos, construir algum elo de corte de emissões entre as partes de Kyoto.

Também seria necessário desestimular a China, e provavelmente Brasil e Índia, a realizarem queimas perigosas de petróleo, gás e carvão.

Mas por enquanto estes países argumentam que os países industriais têm a maior responsabilidade pelos problemas atuais e, portanto, devem fazer os maiores sacrifícios. Como economias em desenvolvimento, eles se dizem contrários a compromissos que retardariam sua trajetória rumo à prosperidade.

O secretário-executivo da Convenção-marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (UNFCCC), Yvo de Boer, tem liderado os apelos para que o novo secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, convoque uma cúpula global, e conta com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Nesta sexta-feira, em Paris, de Boer disse que o relatório do IPCC "é um chamado para uma ação imediata". Ele ressaltou os papéis-chave dos Estados Unidos e dos grandes países desenvolvidos, mas evitou fazer recomendações sobre o que deveriam fazer.

Agora existe "um reconhecimento geral de que uma resposta global significa que você também precisa empenhar grandes países em desenvolvimento, como China, Índia e Brasil", disse de Boer.

"(...) Em qualquer caso, é absolutamente essencial conseguir um compromisso continuado dos Estados Unidos na questão da mudança climática e (...) assegurar que o que está em andamento é para todos", continuou.

Entre os partidários de Kyoto, havia esperanças contidas nesta sexta-feira de que o relatório, auxiliado pela recém-eleita maioria democrata no Congresso americano, pudesse pressionar o presidente George W. Bush a voltar à cena internacional de alguma forma.

Para a África do Sul, o relatório do IPCC "foi um chamado para que o maior poluidor do mundo, os Estados Unidos, desperte. Os Estados Unidos têm a obrigação moral de se unir ao esforço global para conter as emissões de gases de estufa".

Em Bruxelas, a Comissão Européia (braço executivo da União Européia) afirmou que "agora é mais urgente do que nunca" que a comunidade internacional realize "negociações sérias".

No mês passado, a Comissão Européia assumiu a liderança no jogo de negociações entre os principais membros do protocolo de Kyoto, ao pedir aos países desenvolvidos que reduzam suas emissões em 30% com relação aos níveis de 1990 até 2010. Se esta iniciativa falhar, o bloco de 27 países cortaria unilateralmente suas próprias emissões em "pelo menos 20%".

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