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06/02/2007 - 11h03

China sofre com as mais altas temperaturas já registradas

PEQUIM, 6 fev (AFP) - Não há ninguém patinando no gelo que derrete nos lagos de Pequim, as árvores estão florescendo mais cedo e as pessoas deixam em casa seus casacos pesados. É o verão mais quente que a China já viu.

A temperatura na capital chegou aos 16 graus Celsius na segunda-feira, muito acima das médias históricas registradas para essa época do ano e a mais alta desde as primeiras medições em 1840.

Guo Hu, chefe do Observatório Municipal de Pequim, disse que as altas temperaturas fazem parte de uma forte tendência deste inverno, já que as médias no resto do país têm registrado fenômeno semelhante.

"Pequim teve em janeiro e fevereiro as temperaturas mais altas dos últimos 167 anos" disse Guo à AFP nesta terça.

"Desde o fim dos anos 80 os invernos de Pequim têm sido cada vez mais quentes. Isso acontece devido à influência do aquecimento global".

Perto do lago Qianhai, que costuma congelar nessa época do ano, o comerciante local Chen Chuanyang lamentou a chegada antecipada da primavera depois que as autoridades proibiram a patinação no gelo, já que o lago começava a derreter mais cedo que o normal.

Relatórios divulgados mostram o impacto do aquecimento global por todo o país.

As médias para dezembro e janeiro foram as maiores em 56 anos, tanto na província oriental de Jiangsu quanto na longínqua província oriental de Xinjiang, a 3 mil quilômetros de distância uma da outra, segundo informou a agência de notícias oficial Xinhua.

A província de Heilongjiang, no extremo nordeste da China, normalmente gelada nessa época do ano, também teve as temperaturas mais altas dos últimos quarenta anos. Em Shaanxi, o índice pluviométrico registrado em janeiro foi 90% abaixo da média, e 300 mil pessoas sofrem com a seca.

Os números de uma China superaquecida apareceram menos de uma semana após a divulgação do relatório da ONU, que alerta a respeito do impacto significativo dos gases poluentes sobre o aquecimento global.

O documento diz ainda que a temperatura média da superfície terrestre pode aumentar entre 1,1 e 6,4 graus até o ano de 2100.

Qin Dahe, mais importante meteorologista chinês e um dos autores do relatório, afirmou nesta terça-feira que o inverno extraordinariamente quente da China, além de outas mudanças climáticas extremas, corroboram os alertas do aquecimento global.

Qin, chefe da Associação Meteorológica da China, disse que o país deverá passar por mais alguns anos como o de 2006, quando foi atingido por alguns dos piores tufões e secas das últimas décadas.

A China é um dos campeões na emissão de dióxido de carbono, principal gás responsável pelo efeito estufa e conseqüentemente pelo aquecimento global, lançado na atmosfera através da queima de carvão, gasolina e outros combustíveis fósseis.

Atualmente, cerca de 70% da energia consumida em território chinês é resultado da queima de carvão. As metas são de um aumento ainda maior da produção, refletidas na demanda energética da população de 1,3 bilhão de pessoas, que só faz crescer.

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