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07/02/2007 - 17h18

Mamíferos teriam sido favorecidos pela grande glaciação do Oligoceno

Por Frederic Garlan PARIS, 7 fev (AFP) - A grande glaciação ocorrida há 33,5 milhões de anos pode ter tido um impacto mais intenso do que se imaginava sobre o clima das terras emersas, em benefício dos mamíferos, que teriam se tornado mais bem preparados para enfrentar baixas temperaturas do que os animais de sangue frio.

Um estudo americano que será publicado na edição desta quinta-feira da revista científica Nature calcula que a queda das temperaturas médias pode ter atingido 8,2 graus (com uma margem de erro de 3,1°) num período de 400.000 anos.

"A importante mudança das temperaturas médias, bem superior à das temperaturas da superfície dos mares nas mesmas latitudes, (...) explica a desordem da fauna, entre os gastrópodes, anfíbios e répteis, enquanto a maior parte dos mamíferos da região não foi atingida", explicou a equipe de Alessandro Zanazzi (Universidade da Carolina do Sul).

Zanazzi e seus colegas chegaram a esta conclusão ao estudar a repartição dos isótopos de oxigênio 16 e 18 da arcada dentária e dos esqueletos de antigos mamíferos encontrados nas grandes planícies americanas. Eles conseguiram estabelecer a proporção entre os dois isótopos existentes na água bebida por esses animais e, por dedução, a temperatura da superfície na época.

A grande transição entre o mundo quente do Eoceno e o mundo frio do Oligoceno é um dos grandes enigmas com que se defrontam os paleoclimatologistas: num período relativamente curto, o gelo tomou conta de grande parte da Terra, sobretudo a Antártica.

Os estudos científicos concentraram-se até aqui no impacto desta glaciação sobre os oceanos. Os trabalhos de Zanazzi, assim como os de uma equipe holandesa-chinesa, consagrados à aridificação do planalto tibetano, publicados no mesmo número da Nature, reforçam a teoria de que o esfriamento era de escala planetária.

Guillaume Dupont-Nivet, da Universidade de Utrecht, na Holanda, conduziu uma equipe que pesquisou camadas de rocha sedimentar na bacia de Xining, na franja nordeste do árido platô tibetano.

Depósitos sedimentares como estes resultam de lagos que uma vez inudaram a região.

Os cientistas criaram uma escala de tempo de quando esta inundação ocorreu e eventualmente acabou, medindo um minúsculo sinal magnético em partículas da rocha.

Dupont-Nivet descobriu que a seca de Xining ocorreu precisamente quando começou a glaciação antártica.

"Isto significa que uma diminuição do nível de dióxido de carbono atmosférico seria o motor das mudanças nos dois hemisférios", ressalta Gabriel Bowen (Purdue University) em um comentário.

Alguns cientistas explicavam até agora o aparecimento do gelo numa Antártica então verdejante pelo efeito da deriva dos continentes. O afastamento da América do Sul e da Austrália do continente Antártico teria, segundo eles, permitido a emergência de uma corrente circumpolar que teria isolado climaticamente o pólo sul. Mas esta tese já apresentava problemas porque os modelos de computador mostravam que um fenômeno deste tipo teria provocado um aquecimento do conjunto do hemisfério norte, avalia Bowen.

Os dois estudos publicados na Nature, concentrados precisamente no hemisfério Norte, mostram que "o início do Oligoceno foi um divisor de águas não apenas para a Antártica, mas para o conjunto da Terra".

"Eles questionam fortemente a hipótese da circulação oceânica (para explicar o resfriamento do planeta) e apostam na tese de que uma contração global, como a diminuição na atmosfera de concentrações de gases de efeito estufa, teve um papel no acúmulo de gelo na Antártica", conclui Bowen.

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