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09/02/2007 - 18h02

O fantasma da pandemia de gripe aviária volta a assombrar o mundo

=(FOTOS)= PARIS, 9 fev (AFP) - Após seis semanas de letargia, o vírus da gripe das aves ressurgiu no sudeste da Turquia e na Europa Ocidental nesta semana e, com ele, o assustador fantasma de uma pandemia mundial com potencial para matar mais de 800 milhões de pessoas e gerar perdas econômicas catastróficas.

"A situação na África pode piorar e a Europa seria novamente afetada quando ocorrerem os fluxos migratórios das aves. É difícil saber o que 2007 nos trará", declarou em conferência recente a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

O começo do ano trouxe presságios bastante negros.

Nesta sexta-feira, a cepa contagiosa e letal H5N1 foi detectada no sudeste da Turquia em aves de uma aldeia da província de Batman, no fim de uma semana em que foram sacrificados 160.000 perus em uma granja da Inglaterra contaminada pelo vírus H5N1, dias depois de o vírus reaparecer no leste do velho continente e causar a morte de várias pessoas em dois países africanos (Egito e Nigéria). O temor geral é um ressurgimento da gripe das aves, que causou pelo menos 165 mortos e o sacrifício de mais de 200 milhões de aves em todo o mundo desde seu aparecimento, em 2003.

Foram ativados sistemas de alerta e proteção contra o H5N1, um vírus muito contagioso e letal, adormecido durante seis meses, mas sempre presente e resistente às medidas de prevenção.

Este vírus pode causar não só uma epizootia, mas uma pandemia com mais de 80 milhões de mortos em todo o mundo, segundo os temores anunciados pela FAO. Uma catástrofe destas dimensões seria muito maior que a "gripe espanhola" de 1918, que causou 50 milhões de mortos.

Por enquanto o H5N1 é transmissível ao homem através do contato direto com aves infectadas. Mas o risco é que, como qualquer vírus da gripe, possa sofrer uma mutação e se tornar transmissível entre humanos, com conseqüências imprevisíveis.

"Um dia haverá uma pandemia de gripe de origem aviária. Isto é uma certeza absoluta, embora não saibamos se será devido ao H5N1 ou a outras cepas, como H9, H2, ou o que for", disse há seis meses o epidemiologista americano Robert Webster.

Este especialista e maioria de seus colegas não pretendem semear o pânico, mas conscientizar para "impedir que o vírus se transmita".

Eles lutam com a única arma à sua disposição, o estudo, pois quanto melhor se conhece o inimigo, mais chances há de se derrotá-lo.

Por enquanto sabem que o H5N1 é destruído no cozimento, mas permanece em produtos frescos, como ovos; causa diarréias, assim como o vírus mortal de 1918, e também se transmite por contato muito direto com doentes, como ocorreu com quatro membros da mesma família na Indonésia.

Embora considerem que o vírus precise de dez mutações para se tornar transmissível entre humanos, não baixam a guarda, porque - como disse Webster - isto "poderia acontecer a qualquer momento", devido à enorme difusão da doença.

O maior obstáculo reside em que é impossível deter os fluxos migratórios das aves, que são as transmissoras.

Os especialistas concentram seus esforços em identificar possíveis espécies hospedeiras (que alojam o vírus) para tentar isolá-las e fechar focos ou, no pior dos casos, reconhecer o caráter endêmico da doença.

A prioridade é não deixar a cargo do destino a difusão da gripe aviária e evitar, assim, um efeito "dominó" capaz de arruinar o mercado avícola mundial, afetado em 2006 por perdas milionárias.

Por isso já foram implantados planos concretos que incluem controles sanitários e de informação internacional, assim como indenizações e compensações a camponeses e pecuaristas "para vencer suas reticências em apontar animais doentes". Por enquanto, a gripe das aves fez a festa de parte da indústria farmacêutica, começando pela empresa suíça Roche, fabricante do "Tamiflu", o único antiviral eficaz contra o H5N1.

Outros cinco laboratórios levam meio ano desenvolvendo outras possíveis vacinas contra a gripe das aves após terem recebido mais de um bilhão de dólares destinados pelos Estados Unidos para suas pesquisas.

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