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12/02/2007 - 16h27

Chimpanzés na África usaram ferramentas em tempos pré-históricos (estudo)

CHICAGO, 12 fev (AFP) - Chimpanzés do oeste africano usaram instrumentos de pedra para abrir frutas secas em tempos pré-históricos, revela um estudo divulgado nesta segunda-feira, segundo o qual estes animais podem ter usado esta tecnologia por milhares de anos.

O estudo, publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), é o primeiro a apresentar provas sólidas para apoiar a teoria de que a utilização de ferramentas, constatada em algumas populações de chimpanzés, pode ser ainda mais remota.

A evidência provém do único assentamento pré-histórico de chimpanzés conhecido no mundo, na selva tropical úmida de Tai, na Costa do Marfim. Arqueólogos que estavam escavando no local no ano passado descobriram "martelos" de pedra de 4.300 anos.

Os pesquisadores compararam resíduos microscópicos de amido, encontrados nos instrumentos, com várias frutas secas que, segundo se sabe, fazem parte da dieta dos chimpanzés, mas não dos humanos.

Estudos posteriores mostraram que os martelos, na verdade rochas de forma irregular do tamanho de um melão, não poderiam ter resultado da erosão natural e eram muito grandes para terem sido empregados por humanos.

A descoberta indica que este comportamento de abrir frutas secas passou por mais de 200 gerações de chimpanzés no bosque Tai e que "o material cultural dos chimpanzés tem uma longa pré-histórica, cujas raízes profundas apenas estão começando a se descobrir", asseguraram os autores do estudo.

As primeiras observações do emprego de ferramentas entre populações de símios selvagens datavam do século XIX, apesar de que há algumas poucas décadas o tema tem sido objeto de sérios estudos, com especialistas no tema documentando diferentes formas de uso dos instrumentos entre as populações de chimpanzés africanos.

Este estudo não só demonstra que alguns chimpanzés desenvolveram esta habilidade milhares de anos antes do que se pensava, como também traz a tona a questão de quando estes primatas adquiriram tais habilidades de quebrar frutos com rochas ou usaram paus para "pescar" insetos.

Alguns cientistas destacam que os chimpanzés desenvolveram estas habilidades imitando os humanos, mas há 4.300 anos não havia lavouras na região do bosque de Tai, razão pela qual os animais não poderiam ter copiado estas práticas de aldeões locais, segundo os autores.

Os fatos mostram que os chimpanzés ou desenvolveram este comportamento independentemente do homem, ou tanto o homem quanto os símios herdaram a prática de um ancestral que viveu milhões de anos antes deles.

"O primeiro sítio arqueológico não humano de considerável antigüidade gera idéias interessantes sobre nossa herança comum com os chimpanzés", afirmou Alison Brooks, professora de antropologia na Universidade George Washington e cientista associada ao Instituto Smithsonian da capital americana.

A descoberta também traz a interrogação de por que a capacidade de abrir frutas secas só é vista em algumas populações de chimpanzés, disse Michael Chazan, professor de antropologia da Universidade de Toronto.

"Por que e como este grupo de chimpanzés manteve o comportamento de quebrar frutas secas, enquanto outros grupos de chimpanzés que viveram em locais com a mesma disponibilidade de frutas não o fizeram?", perguntou-se.

O estudo foi escrito por Julio Mercader, arqueólogo da Universidade de Calgary em Alberta (Canadá), com a ajuda de colaboradores de Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos e Canadá.

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