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12/02/2007 - 11h51

EUA utilizaram bases aéreas espanholas para vôos para Guantánamo

MADRI, 12 fev (AFP) - Os Estados Unidos utilizaram três bases militares espanholas entre janeiro de 2002 e novembro de 2005 para realizar oito vôos com destino à base militar de Guantánamo, onde permanecem detidos 400 suspeitos de terrorismo islamita, afirma nesta segunda-feira o jornal El País.

Sete aviões militares americanos realizaram escala de seus vôos a Guantánamo nas bases militares espanholas de uso conjunto de Rota e Morón de la Frontera (Andaluzia), Los Rodeos, em Tenerife (Ilhas Canárias), e de Torrejón de Ardoz (Madri), afirma o jornal que baseia suas informações em trechos do registros de tráfego aéreo de Portugal.

Esses registros se referem aos aviões em trânsito em sua zona de controle.

O vôo mais antigo data de janeiro de 2002, imediatamente depois da queda do regime talibã. O mais recente foi em novembro de 2005.

El País afirma que nenhum desses vôos está mencionado nos documentos do Centro Nacional de Inteligência (CNI, serviços secretos espanhóis) que o governo espanhol revelou na sexta-feira passada a pedido do juiz de instrução espanhol Ismael Moreno, que investiga escalas de aviões fretados pela CIA no arquipélago entre janeiro de 2004 e janeiro de 2005.

O governo espanhol rejeitou tais acusações, assegurando que "jamais tolerou, nem tolera, nem tolerará qualquer violação dos direitos humanos e fundamentais".

No entanto, o jornal admite que não se pode demonstrar que os aviões que viajaram entre as bases espanholas e Guantánamo transportaram detidos ilegalmente, em primeiro lugar porque a Espanha nunca controla a lista de passageiros, nem pergunta quem vai a bordo.

"Não temos provas de que tenha havido ilegalidade alguma em território espanhol e se tivesse havido, não teríamos tolerado porque em termos de direitos humanos não pode haver qualquer complacência", afirmou o juiz.

O coordenador geral da coalizão Izquierda Unida (IU, pró-comunista), um dos mais críticos em relação aos vôos secretos da CIA, acusou o governo de estar "surdo, cego e mudo" e pediu a suspensão de um convênio com os Estados Unidos pela "violação flagrante" da soberania espanhola.

Em 2002, o governo espanhol, dirigido então pelo conservador José María Aznar, decidiu flexibilizar as regras para o uso conjunto hispano-americano dessas bases militares, segundo o mesmo jornal.

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