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16/02/2007 - 18h27

Derretimento das geleiras montanhosas é prova do aquecimento global

Por Jean-Louis Santini SAN FRANCISCO, EUA, 16 fev (AFP) - Do Monte Kilimanjaro aos Andes, o derretimento das geleiras montanhosas é uma prova do aquecimento global, com sérias conseqüências para os ecossistemas locais e do resto do mundo, denunciaram cientistas reunidos nesta semana em San Francisco.

"A retração generalizada das geleiras de montanha pode constituir o indício que mais atesta o aquecimento do clima terrestre, um fenômeno que integra muitas variáveis climáticas", explicou Lonnie Thompson, climatologista da Universidade de Ohio (leste), durante entrevista coletiva à margem da conferência anual da Associação Americana para a Promoção da Ciência (AAAS, na sigla em inglês).

O ritmo do derretimento é tal que a geleira Qori Kalis, no Peru, parte da Quelccaya, a maior calota de gelo tropical do mundo, poderá desaparecer totalmente nos próximos cinco anos, disse.

Para medir o degelo, os cientistas observam regularmente sua evolução, analisando amostras de gelo, água e do solo que já está descoberto.

Também foram descobertas antigas plantas, que segundo estudos foram enterradas e preservadas no gelo por pelo menos 5.000 anos. Isto significa que o recuo atual do gelo andino é o mais importante nos últimos 50 séculos, segundo os cientistas.

"Nossas altas montanhas são como o terceiro pólo do planeta, são as regiões do globo mais frias e também as mais sensíveis ao aquecimento", disse Henry Diaz, especialista da Administração Americana de Oceanos e Atmosfera (NOAA, na sigla em inglês).

Os modelos de computador sobre o aquecimento indicam que o efeito estufa atmosférico faz as temperaturas aumentarem mais quanto maior a altitude, destacou.

Esta projeção é, até o momento, confirmada pelo ritmo de derretimento acelerado da geleira do Kilimanjaro, a montanha mais alta da África (5.895 metros), situada na Tanzânia, o qual se teme que vá desaparecer completamente em menos de quinze anos, segundo Thompson.

"Os gelos do Kilimanjaro, como os do Monte Quênia, do Rwenzori, também na África, bem como aqueles dos Andes e do Himalaia se dirigem ao fracasso", avaliou o climatologista.

A temperatura média do planeta é atualmente alguns graus inferior daquela do momento mais quente do período interglacial, há 125.000 anos, destacou Diaz. Segundo o último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), a temperatura média da Terra poderá ser, até o fim do século, três graus superior à atual.

O derretimento acelerado dos gelos montanhosos poderá afetar severamente milhões de pessoas, uma grande parte habitante de países pobres que dependem principalmente da água das geleiras para cultivar a terra e para seu consumo.

O desaparecimento das célebres neves do Kilimanjaro pode também incidir negativamente na economia da Tanzânia, onde a renda turística vinculada à montanha é um recurso importante para o país, lembrou Lonnie Thompson.

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