UOL Notícias Notícias
 

16/02/2007 - 17h49

Passado úmido de Marte reforça teoria de existência de vida no planeta vermelho

Por Jean-Louis Santini SAN FRANCISCO, EUA, 16 fev (AFP) - A multiplicação de indícios que demonstram a presença de água em Marte reforçam a teoria de que existiu vida no planeta vermelho e que esta poderia subsistir no subsolo, afirmam cientistas reunidos na conferência anual da Associação Americana para a Promoção da Ciência (AAAS, na sigla em inglês).

A água é um elemento indispensável para a vida. Ainda que não seja prova suficiente para estabelecer que existiu ou ainda existe vida em Marte, dá argumentos aos cientistas que defendem esta tese.

"Penso que um dia encontraremos sinais de vida em Marte", disse David Des Marais, da Nasa (agência espacial americana), no âmbito da conferência da AAAS celebrada em San Francisco, afirmando em seguida que se trata de uma "convicção pessoal".

"Temos muitos indícios de que Marte era um planeta onde a água era abundante", disse Stephen Clifford, astrônomo do Lunar and Planetary Institute, em Houston (Texas, sul).

Além dos novos indícios geológicos que apontam para a presença de água no planeta vermelho, publicados na quinta-feira na revista Science, Clifford citou ainda vales, ribeiras e depósitos de sedimento no que teriam sido lagos, mares e inclusive oceanos.

Por outro lado, imagens recentes transmitidas pela câmera de alta definição da sonda americana Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), da Nasa, mostram camadas de rocha de cor escura e mais clara sobre as linhas de fratura de um cânion, destacando a presença de infiltrações de água na base rochosa de várias centenas de milhões de anos.

"Na Terra, uma descoloração como esta na rocha aponta claramente para interações químicas entre os fluidos que circulam entre a fratura e a base da rocha", explicou Chris Okubo, pesquisador da Universidade do Arizona (sudoeste) e principal autor do estudo publicado na Science.

O astro-geólogo explicou, durante entrevista coletiva com vários especialistas sobre Marte, que um fenômeno como este também pode indicar ciclos de depósitos de materiais que se seguiram a chuvas, ventos ou uma atividade vulcânica.

As linhas de fissura entre as camadas de rochas também são sólidas indicações de que o subsolo marciano contém água, o que os radares das sondas americanas MRO e européia Mars Express devem poder detectar, acrescentou Clifford.

Sinais da presença atual de água no subsolo já foram revelados por observações recentes. É ali que a vida poderia ser encontrada, dado que a superfície do planeta vermelho é um ambiente muito hostil, segundo Des Marais.

Em dezembro, uma análise de várias imagens feitas pela sonda americana Mars Global Surveyor mostrou a formação nos últimos anos de dois pequenos cursos d'água em uma cratera, sugerindo que a água corre atualmente em Marte.

Outro indício de uma eventual presença de vida no subsolo marciano foi a detecção recente na atmosfera do planeta de metano, um gás fabricado principalmente por bactérias.

A estratégia atual de exploração de Marte, baseada na busca de água e seus vestígios, também deveria estar acompanhada da pesquisa de possíveis fontes de energia necessárias para a vida, destacou o cientista da Nasa Tori Hoehler.

A exploração de Marte requer uma aproximação multidisciplinar para conseguir determinar com certeza se existe ou existiu vida no planeta, próximo destino escolhido pelos Estados Unidos para uma exploração tripulada, concluíram os cientistas.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,53
    3,128
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,28
    75.389,75
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host