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19/02/2007 - 18h38

Cientistas confiantes em poder desviar trajetória de asteróide que ameaça a Terra

SÃO FRANCISCO, 19 fev (AFP) - Um grupo de cientistas está empenhado em poder desviar a trajetória de um asteróide para evitar um impacto catastrófico com a Terra em abril de 2036, mas pressionam a comunidade internacional a melhor se preparar para um tal cenário, agindo o mais rápido possível.

Edward Lu, um especialista da Nasa, explica que uma pequena nave espacial do tamanho de um engenho como o Apollo da conquista da Lua poderia, deslocando-se diante ou atrás do objeto, modificar sua trajetória pela simples força gravitacional.

"Um pequeno barco rebocador pode fazer mover um porta-avião se ele o puxar por muito tempo", precisa ele em entrevista à imprensa, por ocasião da conferência anual da Associação americana para a Promoção da Ciência (AAAS) realizada em São Francisco que conclui neste 19 de fevereiro.

Segundo ele, é o único método eficaz - rejeitando a opção de uma bomba nuclear para destruir o asteróide, o que poderia ter conseqüências desastrosas criando vários objetos impossíveis de serem controlados.

Embora improvável, a operação poderia tornar-se necessária a partir de 2029 se a trajetória do asteróide Apophis for modificada na sua passagem, prevista para aquele ano, perto da Terra (cerca de 32.000 km). Poderia então atingir nosso planeta em abril de 2036. Este objeto de 300 metros de diâmetro pode destruir um país do tamanho da Grã-Bretanha, segundo os astrônomos.

Com os dois novos telescópios muito potentes previstos, o Pan-STARRS no Hawaï e o Large Earth Telescope no Chile, os cientistas estão preparados para descobrir cem vezes mais objetos desse tipo chamados NEO (Near Earth Object/objetos próximos da Terra), explicou Steven Chesley, do Jet Propulsion Laboratory da Nasa na Califórnia (oeste).

Grande número de asteróides acompanhados trará também ameaças potenciais para nosso planeta, afirmou.

Para se assegurar de que não haverá tempo perdido nas discussões internacionais para desencadear um eventual processo de desvio do asteróide - vários anos antes do momento previsto para a colisão -, um grupo de experts de vários países - cientistas, diplomatas, juristas...-- prepara um projeto de tratado internacional a ser submetido à ONU em 2009, indicou Russell Schweickart, presidente da Association of Space Explorers comprometida nestas discussões. A Terra, desde suas origins datando de 4,5 bilhões de anos, foi atingida numerosas vezes por asteróides e cometas que provocaram a extinção de espécies como a dos dinossauros - após aparentemente o impacto de um destes objetos em Yucatan há 65 milhões de anos.

Uma colisão de um asteróide com a Terra acontecerá provavelmente um dia, segundo os astrônomos, como mostrou em 1994 o impacto sobre Júpiter de 21 fragmentos do cometa Shoemaker-Levy 9 após sua desintegração.

Se este acontecimento se produzir sobre a Terra, haverá uma catástrofe planetária digna de um film de science fiction, segundo os astrônomos.

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