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01/03/2007 - 18h15

Comércio ilegal de marfim ameaça elefantes de extinção

Por Jean-Louis SantiniRPT WASHINGTON, 1º mar (AFP) - A caça ilegal de elefantes africanos para retirar suas presas, devido à crescente demanda de marfim, sobretudo da China, ameaça extinguir estes animais, revela um estudo publicado nos Estados Unidos.

"O problema é de tal gravidade que estes paquidermes poderiam estar em vias de extinção se os países ocidentais não reiterarem seus esforços para fazer aplicar o convênio internacional de 1989 que, quatro anos depois de sua entrada em vigor, quase havia permitido acabar com o mercado negro de marfim", afirmam especialistas americanos.

As toneladas de marfim contrabandeado confiscadas em 2006 permitem pensar que "o massacre de elefantes alcançou um ritmo sem precedentes desde a entrada em vigor deste convênio", afirma Samuel Wasser, principal autor do estudo publicado nesta semana nos Anais da Academia Nacional de Ciências americana.

Em agosto do ano passado, as autoridades interceptaram cerca de 24 toneladas de marfim de contrabando. Mas como se considera que o confisco corresponde a apenas 10%, o total contrabandeado seria de 234 toneladas, afirma o cientista, diretor do Centro de Conservação das Espécies da Universidade do Estado de Washington (noroeste). Este volume de marfim pressupõe a provável morte de 23.000 elefantes, o que representa cerca de 5% da população destes animais na África (500.000), continua Wasser.

O elefante asiático está em uma situação muito mais precária, pois sua população é estimada em menos de 30.000. A intensificação da caça clandestina de elefantes africanos se explica, sobretudo, pelo crescimento astronômico da economia chinesa, que provoca uma importante demanda de marfim contrabandeado, disparando os preços e fomentando o crime organizado, explicam os autores do estudo.

Em 1989, o marfim de alta qualidade era vendido a 100 dólares o quilo no mercado negro. Este preço dobrou em 15 anos, chegando a 200 dólares em 2004. Mas desde então disparou, atingindo 750 dólares o quilo em 2006. "Se a máfia é a responsável por esta escalada dos preços, a única forma de por um fim a este comércio é impedir que o marfim entre no mercado negro internacional", avalia Wasser.

Este científico e seus colegas da Universidade do Estado de Washington trabalham em cooperação com outros especialistas no mundo e a Interpol, a polícia internacional, para rastrear os caçadores clandestinos.

Nos últimos anos, Wasser e seus colegas fizeram um arquivo genético de uma variedade de populações de elefantes africanos, que permite identificar a origem das presas confiscadas e, assim, concentrar os esforços nas regiões da África onde a caça clandestina é mais intensa.

Em junho de 2002, as autoridades de Cingapura interceptaram um contêiner procedente do Malaui com 6,5 toneladas de marfim de contrabando, destinadas ao mercado do Extremo Oriente. Foi a segunda maior apreensão desde a entrada em vigor do convênio.

As análises de 67 dos 532 interceptados revelaram que pertenciam a elefantes da savana africana e, provavelmente, de uma região da Zâmbia.

Os serviços de controle e a polícia puderam, assim, identificar um grande número de caçadores clandestinos, mas por enquanto nenhum foi levado a julgamento, lamentam os autores deste estudo.

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