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02/03/2007 - 17h49

Caso de menino inglês de 90 quilos reativa polêmica da obesidade na Europa

Por Ana Maria Echeverría=(FOTOS)= LONDRES, 2 mar (AFP) - O caso de Connor McCreaddie, que com oito anos pesa 90 quilos, retomou as campanhas preventivas na Inglaterra, onde 13,4% dos menores de 10 anos são obesos, uma tendência que se repete no resto da Europa, onde os hábitos de alimentação estão mudando.

Connor não está só. Sua dramática obesidade reflete um problema nacional cada vez maior: casos de crianças com excesso de peso têm aumentado 3,5% na Inglaterra nos últimos dois anos, um problema que afeta milhares de crianças na União Européia.

De volta ao caso de Connor, os serviços sociais ingleses chegaram a considerar retirar a guarda de sua mãe, o que descartaram no final.

Na Inglaterra, um em cada três menores de 10 anos sofre de excesso de peso ou é obeso como ele que, para dormir, precisa juntar cinco camas.

A comoção provocada na opinião pública inglesa trouxe à tona o debate sobre a dieta de crianças, baseada freqüentemente, como no caso de Connor, em batatas fritas, refrigerantes, hambúrgueres, doces: a "comida calórica", consumida por jovens ao redor do mundo.

A guerra contra a cultura "fast food" e de alimentos com alto índice de calorias conta em suas fileiras na Inglaterra com o jovem chef Jamie Oliver, que tem se esforçado para mudar os cardápios escolares, estimulando as crianças a comer, pelo menos, cinco frutas ou verduras por dia.

O príncipe Charles, herdeiro da coroa britânica, também promove a alimentação saudável. Ele se declarou favorável a proibir o McDonalds, em declarações feitas durante sua visita esta semana a um centro de tratamento de diabetes nos Emirados Árabes Unidos.

"O príncipe Charles tem advertido há muito tempo sobre a importância de uma dieta equilibrada, especialmente no caso das crianças", informou o Palácio de Buckingham.

A Inglaterra não é a única preocupada com a obesidade juvenil: na Europa mais vozes se elevam para alertar contra o perigo do excesso de peso em crianças e adultos, exaltando medidas para combatê-la.

França, Espanha, Suécia, Itália, Polônia e Holanda estão entre os países cujos governos incentivam formas de combater esta tendência, que causa doenças cardiovasculares, diabetes, etc..

Na França, país onde a gastronomia é um dos orgulhos nacionais, uma em cada seis crianças é obesa.

Estas números levaram o governo a exigir que produtos como refrigerantes, biscoitos, alimentos ricos em gorduras, estejam acompanhados de mensagens sobre o risco da má alimentação para a saúde, e difundir chamadas insistindo na necessidade da prática de esportes.

O problema é que muitos pais, como a mãe de Connor, pensam que a obesidade é uma enfermidade que pode ser resolvida não com uma mudança drástica nos hábitos alimentares, mas ingerindo comprimidos.

"Tinha a esperança de que fosse uma enfermidade que pudesse ser tratada com comprimidos", confessou Nicola, mãe de Connor.

As recomendações aprovadas há poucos dias pela UE e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em conferência sediada em Badenweiler (sul da Alemanha) para reduzir o número de obesos no continente correm o risco de não serem ouvidas.

A luta contra a obesidade infantil requer que jardins de infância, escolas e colégios ofereçam alimentação sadia, incluindo várias porções diárias de frutas ou verduras, e que as crianças façam esporte ou exercícios, pelo menos, por meia hora ao dia, declararam a UE e a OMS.

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