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04/03/2007 - 16h06

Chávez denuncia planos de magnicídio por parte dos EUA

CARACAS, 4 mar (AFP) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, denunciou que os planos de magnicídio contra ele ganharam força desde a designação de John Negroponte como número dois do Departamento de Estado americano.

Em uma entrevista exibida no novo programa de televisão de seu ex-vice-presidente José Vicente Rangel, Chávez descartou a possibilidade de um golpe de Estado ou de uma insurreição.

"Para mim, o fantasma do magnicídio está plantado permanentemente, mais que outras opções", disse Chávez, ao mesmo tempo que revelou ter dado instruções aos serviços de inteligência venezuelanos para lançar uma "ofensiva".

"É possível que em breve aconteçam surpresas neste tema, mas não falo mais", declarou o presidente venezuelano, antes de enfatizar que a "hipótese do magnicídio ganhou peso no cenário".

"A quem juramentaram na Casa Branca subsecretário de Estado? Um assassino profissional, John Negroponte", perguntou e respondeu o próprio Chávez.

"Designaram unidades especiais da CIA (inteligência americana) e verdadeiros assassinos que andam, não apenas aqui na Venezuela, mas na América Central e América do Sul", prosseguiu.

No dia 13 de fevereiro, o Senado dos Esatdos Unidos confirmou John Negroponte, de 67 anos e que era chefe dos serviços de inteligência americanos desde abril de 2005, no cargo de subsecretário de Estado.

Chávez detalhou que recebeu relatórios de inteligência da América Central: "As pessoas de (Luis) Posada Carriles andam muito ativas na América Central e buscando seus contatos na Venezuela".

Caracas exige a extradição do anticastrista Posada Carriles, acusado por um atentado contra um avião cubano que deixou 73 mortos.

"Entre outras coisas estão buscando explosivos em grandes cantidades. Andam pensando, por exemplo, em uma espécie de carro-bomba ou andam buscando mísseis terra-ar pensando no avião presidencial", acrescentou.

"Estamos ativos", disse o presidente da Venezuela. "Com a ajuda de nossos amigos no mundo e a experiência que nossas equipes vêm adquirindo neutralizamos estes planos", completou.

"É extremamente difícil um golpe de Estado, não deixaria de ser uma loucura. Uma insurreição popular, estiveram mencionando isso em alguns setores, é extremamente difícil", descartou.

"A tese é o magnicídio", enfatizou Chávez, ao mesmo tempo que relatou tentativas frustradas de assassinato com a participação da inteligência da Colômbia.

Rangel, que voltou ao jornalismo depois de oito anos no poder como chanceler, ministro da Defesa e vice-presidente de Chávez, disse que muitos zombam, pois "querem a prova plena que é o cadáver".

Chávez respondeu: "Os que zombam são suspeitos, todo o que zomba para mim é suspeito, não de estar participando diretamente, mas sim de estar apoiando desde o mais recôndito de suas obscuras almas de fascistas. Sem perceber, Deus meu, o que poderia acontecer se me matassem".

Também denunciou que o DAS (inteligência colombiana) participou em uma tentativa de magnicídio contra ele durante uma visita ao ex-presidente conservador Andrés Pastrana (1998-2002).

De acordo com Chávez, um conspirador foi detido. "Estava atrás de mim, quando estávamos diante de alguns empresários e inclusive quando faria um discurso me levou um copo de água".

"O sujeito, identificado como Serra Alzate, sai dizendo um mês depois que era das Farc e que estava ali como parte de um convênio entre Chávez e Marulanda (líder das Farc), e que mataria Pastrana. Não, naquele dia iria matar a mim", disse.

"Foi um homem colocado ali pela extrema-direita colombiana, e seguramente pela CIA. Só que um detalhe me salvou", declarou, ao contar que o homem foi detido no banheiro quando buscava uma pistola 9 mm.

Segundo o presidente venezuelano, três oficiais venezuelanos e 26 paramilitares colombianos, presos em 2004, também conspiraram para matá-lo.

Rangel lembrou que recentemente foi detido um ex-funcionário do DAS na Colômbia. "Há uma pessoa, chefe de informática do DAS, detida, Rafael García, que fez a denúncia que levou à prisão o chefe do DAS".

Rangel, de 76 anos e que era considerado o principal operador político no governo de Chávez, disse que García afirmou que no vínculo paramilitar do DAS estava previsto o magnicídio .

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