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14/03/2007 - 16h34

Tremores de baixa intensidade são indício de grandes terremotos, afirmam

cientistas PARIS, 14 mar (AFP) - Geofísicos reunidos no sul do Japão acreditam que grandes terremotos são antecipados por tremores suaves e quase imperceptíveis que podem durar dias ou semanas.

Em um estudo publicado na edição desta quinta-feira da revista científica britânica Nature, os cientistas afirmam que sinais de alerta ficam ocultos em pequenos sinais sísmicos causados por um deslizamento profundo em uma falha geológica.

O foco do estudo são fenômenos muito além da percepção humana, chamados terremotos de baixa freqüência e tremores não-vulcânicos.

Até agora, os sismólogos consideravam tremores não-vulcânicos como uma leve sacudida e terremotos de baixa freqüência como uma série de pequenos tremores, com a magnitude de apenas um ou dois graus, que podem durar semanas ou até meses.

Essas pequenas turbulências são geralmente encontradas em zonas de subducção - as regiões no 'Anel de Fogo' do Oceano Pacífico, onde se originaram os mais poderosos terremotos da história, diz o grupo de americanos e japoneses, liderado por David Shelly da Universidade de Stanford, na Califórnia.

A zona de subducção é o encontro de duas placas tectônicas, onde uma desliza sobre a outra. Um exemplo foi o terremoto de 9,2 graus na escala Richter que atingiu Sumatra em 26 de dezembro de 2004, dando origem à tsunami que matou mais de 200.000 pessoas.

O grupo de Shelly examinou centenas de sismogramas registrados por sensores na ilha de Shikoku, no sul do Japão, que fica no ponto de contato da zona de subducção do Mar das Filipinas, cerca de 35 quilômetros abaixo da superfície.

Os pesquisadores encontraram uma 'correlação perfeita' entre tremores não-vulcânicos e terremotos de baixa freqüência.

Eles acreditam que o que se via como fenômenos diferentes são, simplesmente, manifestações diferentes do mesmo evento: um deslizamento na parte profunda de uma falha.

"(É) o mesmo mecanismo que gera terremotos normais, mas com algo a mais. O deslizamento em tremores profundos ocorre de forma mais lenta do que em terremotos comuns", disse Gregory Beroza, co-autor do estudo e professor de geofísica em Stanford.

O que ocorre nesses movimentos verticais lentos e profundos não é sentido na superfície.

No entanto, a energia liberada pode ser maciça, pois o evento se desenvolve por um longo período de tempo. Ao longo de semanas, um tremor suave pode liberar tanta energia do que um terremoto de seis graus de magnitude.

Além disso, são perigosos, porque podem liberar pressão em áreas superficiais da falha, intensificando-a.

Muitos sismólogos discutem se os tremores e os terremotos de baixa freqüência não são apenas um ruído de fundo do rangido das placas terrestres, o que os tornaria desprezíveis como ferramentas de previsão.

Entretanto, a equipe de Shelly não acredita nessa hipótese. Eles defendem que pequenos eventos são, potencialmente, indicadores úteis para descobrir quando e onde um deslizamento aconteceu e como ele se comporta sob pressão prolongada.

O último grande terremoto em Shikoku ocorreu em 1946: foi um sismo de 8,1 na escala Richter que matou mais de 1.330 pessoas. Segundo cálculos, a ilha deve sofrer outro tremor dessa magnitude em menos de 40 anos a partir de agora.

"No Japão, a seção profunda da falha onde se formam terremotos brandos é particularmente significativa, porque fica próxima da parte superficial comprometida da falha, onde os grandes tremores ocorrem periodicamente", explicou Beroza.

"Logo, cada vez que um terremoto pequeno acontece, aumenta pressão sobre a seção bloqueada, aumentando a probabilidade de um evento de um supertremor de 8 graus de magnitude. Assim, saber quando um terremoto brando ocorreu pode ser útil para prever perigo sísmico", acrescentou.

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