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15/03/2007 - 18h55

Socorro a vítimas de parada cardíaca deve evitar respiração boca-a-boca

PARIS, 15 mar (AFP) - As chances de se sobreviver a um ataque cardíaco fora de um hospital dobram se alguém próximo fizer exclusivamente compressões torácicas, deixando de lado a respiração boca-a-boca, amplamente considerada um procedimento de socorro padrão, revela um estudo que será publicado nesta sexta-feira.

A cena é comum, tanto na televisão quanto na vida real: alguém, freqüentemente um homem em idade madura, cai na calçada, levando as mãos ao peito. Um transeunte se posiciona ao seu lado, pinça o nariz da vítima e começa a fazer respiração boca-a-boca, alternando-a com compressões repetidas e vigorosas em seu peito.

Mas segundo o estudo, publicado na edição de 16 de março da revista científica britânica The Lancet, há algo errado com este senso comum de primeiros socorros, que na verdade faz mais mal do que bem.

"Não há evidências de qualquer benefício na respiração boca-a-boca", escreve Ken Nagao, médico do hospital universitário Nihon, em Tóquio, que conduziu o estudo que acompanhou mais de quatro mil casos de paradas cardíacas na região japonesa de Kanto.

As chances de sobrevivência com um "resultado neurológico favorável" são duas vezes maiores quando o socorrista evita o boca-a-boca e se concentra exclusivamente em tentar reanimar o coração através de compressões torácicas ritmadas.

"As descobertas deveriam levar a uma revisão provisória rápida das diretrizes para (se socorrer) uma parada cardíaca fora do hospital", adverte em um comentário Gordon Ewy, diretor do Centro Cardíaco Sarver, da Universidade do Arizona.

O propósito de soprar ar para os pulmões de uma vítima de ataque cardíaco é oxigenar o sangue, enquanto a massagem cardíaca visa a fazer o coração voltar a bater ou restabelecer seus batimentos regulares.

Mas esta inédita comparação em larga escala das taxas de sobrevivência de pacientes vítimas de parada cardíaca contesta a técnica padrão de ressuscitação cardíaca, ensinada a milhões de pessoas ao redor do mundo, acrescenta Ewy.

"Descobrimos que a taxa de sobrevivência é maior até mesmo quando o sangue tem menos oxigênio, mas é estimulado a se mover pelo corpo por meio de contínuas compressões torácicas", reforça.

Se os resultados do estudo japonês forem usados para revisar as diretrizes padrão do socorro de vítimas de parada cardíaca antes da chegada dos médicos, isto poderia na verdade ter outro efeito positivo: mais pessoas poderiam se arriscar a tentar.

Dos 4.068 adultos examinados que tiveram ataque cardíaco na frente de estranhos, 439 receberam ressuscitação cardíaca e 712, ressuscitação cardiorespiratória convencional.

Mas 2.917 - mais de 70% - foram deixados à própria sorte.

"Estudos demonstram que devido ao fato de as diretrizes usuais de ressuscitação cardiorespiratória exigirem a ventilação boca-a-boca, a maioria das pessoas não se sentiria capaz de efetuá-la em um estranho, em parte por medo de contrair doenças", explica Ewy.

Embora o estudo dê o que Ewy chamou de "evidência inequívoca" de que a ressuscitação exclusiva com compressão torácica eleva as taxas de sobrevivência, seus autores alertam que o mesmo não se aplica à falência respiratória provocada por afogamento, overdose ou choque.

Nestes casos, o método apropriado de socorro, afirmaram os estudiosos, ainda é alternar duas respirações boca-a-boca e 30 compressões torácicas.

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