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16/03/2007 - 17h16

Europa vive o inverno mais brando em cem anos

PARIS, 16 mar (AFP) - O inverno europeu foi o mais brando desde que começaram a existir dados meteorológicos confiáveis, ou seja, há cerca de 100 anos, trazendo consigo uma primavera antecipada, o adiantamento de colheitas, alterações nos ciclos vitais de algumas espécies animais e uma séria ameaça de seca.

As temperaturas excepcionalmente altas registradas na Europa em dezembro, janeiro e fevereiro, depois de um outono também anormalmente suave, mostram que a temida mudança climática já chegou ao continente.

"Nos últimos 30 anos, as temperaturas do inverno aumentaram globalmente de uma forma anormal com relação ao passado, sem que isto possa ser explicado apenas por fenômenos solares ou vulcânicos", explicou Jurg Luterbacher, climatologista da Universidade de Berna, na Suíça.

Na França, o inverno foi o mais quente desde 1950, com temperaturas 2,1 graus superiores com relação às consideradas normais para a estação, segundo os serviços meteorológicos.

Na Itália não se via um inverno tão quente desde 1800, segundo o Instituto de Ciências da Atmosfera e do Clima (Isac) de Bolonha, e as temperaturas foram 2,27 graus Celsius superiores à média registrada entre 1961 e 1990.

Na Áustria, Viena bateu o recorde do inverno mais suave, que datava de 1915-1916, e a capital da Suécia, Estocolmo, registrou nesta semana uma temperatura de 10 graus, enquanto no ano passado, na mesma época, havia um acúmulo de 20 cm de neve e o termômetro registrava temperaturas não superiores a -10 graus Celsius.

Como conseqüência da variação do clima, muitos cultivos se anteciparam. Na Holanda, onde a colheita de trigo está antecipada em um mês, cientistas da universidade de Wageningen destacaram o risco de vírus no campo de cereais, devido ao aumento de pulgões.

Na Itália, legumes como ervilhas, favas, alcachofras ou aspargos já são abundantes nos mercados, apesar de normalmente chegarem às lojas semanas depois.

Na Alemanha, estas temperaturas elevadas favoreceram o aparecimento de uma doença da cevada, já que as pulgas transmissoras do vírus sobreviveram ao inverno. No oeste do país, 50% dos campos de cevada foram afetados, segundo o governo.

Mas o calor fora de época não só prejudica os cultivos, como também a fauna. Na Áustria, uma espécie de sapos da região de Estíria (sudoeste) iniciou sua migração da primavera quinze dias antes do previsto e os animais correm o risco de morrer esmagados nas estradas porque as autoridades não tiveram tempo de criar uma estrutura que os isole dos automóveis.

Na Holanda, os especialistas se preocupam com o desenvolvimento caótico e enorme das mariposas e alertam que espécies como as andorinhas e os pica-paus voltaram um mês antes do previsto.

Na Hungria, algumas cegonhas já voltaram da África e na Suíça, uma parte das aves migratórias nem chegaram a sair do país no inverno.

Além disso, a seca ameaça vários países. Na Espanha, as altas temperaturas, acompanhadas de ventos e da falta de chuvas, causaram uma série de incêndios em Barcelona, a nordeste, e em Valência, ao leste.

Em Roma, o chefe de governo, Romano Prodi, enviou uma carta a delegados do governo e presidentes regionais para implantar um plano preventivo para proteger suas regiões em caso de seca grave.

Por último, o clima ameno favoreceu claramente o setor da construção. Na Alemanha, o instituto IfW calculou que em 2007 seu crescimento vai superar os 2,8% frente aos 2,1% previstos inicialmente. Na Hungria, os responsáveis por obras públicas prevêem ainda um enorme aumento de benefícios.

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