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16/03/2007 - 15h46

Mexilhão e ostras estão ameaçados pela acidificação dos oceanos

PARIS, 16 mar (AFP) - As ostras e mexilhões estão ameaçados pela acidificação dos oceanos, decorrente do aumento dos resíduos de gás carbônico, segundo um estudo científico publicado nesta sexta-feira na revista Geophysical Research Letters.

A calcificação do mexilhão doméstico (Mytilus edulis) e da ostra do Pacífico (Crassostrea gigas) diminui de forma linear com o aumento da acidez da água do mar, constatou uma equipe internacional administrada por Frédéric Gazeau, pesquisador do Instituto holandês de ecologia.

Todos os dias, mais de 25 milhões de toneladas de gás carbônico (CO2) produzidas pelas atividades humanas são absorvidas pelos oceanos. O gás carbônico acidifica os oceanos. Já sabíamos que um aumento da acidez da água tornava mais difícil a formação dos esqueletos calcários de corais e do fitoplâncton, mas não havia nenhum estudo sobre os moluscos comerciais, segundo o Centro Nacional de Pesquisa Científica.

Na hipótese de um despejo de gás carbônico (na atmosfera) de 740 partes por milhão (ppm) contra as 370 atuais, o ritmo de formação de conchas diminuiria em 25% para o mexilhão e em 10% para a ostra.

Um fenômeno deste tipo poderia ter conseqüências para a sobrevivência das larvas, que teriam dificuldades para se fixar nos suportes fornecidos pelos cultivadores. As conchas demorariam mais tempo para atingir um tamanho comercial e se tornariam mais vulneráveis aos predadores, ressaltou um dos pesquisadores que participou do estudo, Jean-Pierre Gattuso, do Observatório Oceanológico de Villefranche, no centro-leste da França (CNRS/Universidade de Paris 6).

A criação comercial de moluscos aumentou em quase 8% ao ano nos trinta últimos anos. Com quase 12 milhões de toneladas, esse mercado representou um volume de negócios de 10,5 bilhões de dólares em 2002.

A ostra do Pacífico é a mais cultivada, com um volume total de 4,2 milhões de toneladas (10,8% da produção aqüífera mundial). Quase 1,4 milhão de toneladas de mexilhões (3,6% da produção aqüífera) são produzidas no mundo.

Durante a experiência, as conchas foram submetidas a um aumento brutal da acidez do água. Numa período mais longo, mais próximo das condições naturais, é possível que haja um fenômeno de adaptação, explicou o pesquisador entrevistado pela AFP.

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