UOL Notícias Notícias
 

17/03/2007 - 15h51

O G8+5 esboça estratégia de luta contra o aquecimento climático

Por Geraldine Schwarz=(FOTOS)= POTSDAM, Alemanha, 17 Mar 2007 (AFP) - Os ministros do Meio Ambiente do Grupo dos Oito (G8) mais cinco países emergentes, entre eles Brasil e México, esboçaram neste sábado em Potsdam uma estratégia de luta contra o aqueciamento climático baseada num amplo consenso, apesar da oposição dos Estados Unidos em dois pontos.

A reunião permitiu constatar a emergência de um "acordo mais além de nossas expectativas", afirmou o ministro alemão do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel, em entrevista à imprensa junto com o presidente da Convenção da ONU sobre a Mudança Climática (UNFCC), Yvo de Boer.

"Está por emergir um consenso político, um consenso sobre a urgência da situação e a necessidade de mobilizar todos os instrumentos possíveis" para lutar contra o fenômeno, destacou de Boer.

O Brasil e México, por exemplo, ficaram de buscar alianças estratégicas para enfrentar a mudança climática e a destruição da biodiversidade, anunciaram em Potsdam os chefes de ambas as delegações.

O secretário de Meio Ambiente do México, Juan Rafael Elvira Quesada, e o chefe da delegação brasileira, André Correa do Lago, disseram que seus países afinarão nos próximos meses "do ponto de vista econômico" os passos a seguir e "a lógica" da luta contra o aquecimento global e o aniquilamento da biodiversidade.

Esta luta "tem que ter uma visão econômica, porque a convenção (sobre o clima) tem implicações econômicas gigantescas", declarou Correa do Lago à AFP ao término da conferência, sob a presidência da Alemanha, e que reuniu Estados Unidos, Canadá, França, Grã-Bretanha, Itália e Rússia, assim como Brasil, México, China, Índia e África do Sul.

Mas o encontro se viu ensombrecido com a rejeição dos Estados Unidos a dois dos seis pontos de uma estratégia de proteção do clima sobre a qual os demais participantes se puseram de acordo.

Os Estados Unidos negaram, por exemplo, a responsabilidade histórica dos países industrializados em relação à proteção do meio ambiente nas nações em desenvolvimento, declarou o ministro alemão Sigmar Gabriel.

"Os Estados Unidos foram os únicos a rejeitar" um ponto no qual todos os outros países do G8+5 estão de acordo, o da "responsabilidade dos países industrializados em relação aos países em desenvolvimento para apoiá-los em seus esforços em matéria de proteção ao meio ambiente, em particular de suas florestas tropicais", ressaltou Gabriel ao término da cúpula de dois dias.

"Nos parece um retrocesso", destacou o ministro, cujo país exerce a presidência anual do G8 e a semestral da União Européia (UE).

"Creio que a longo prazo esta posição não poderá ser mantida, porque sei que existe um grande interesse dos Estados Unidos na sobrevivência das florestas tropicais", acrescentou.

Também à exceção dos Estados Unidos, os participantes "estavam de acordo com o fato de que uma parte do aquecimento global é irreversível e que os países industrializados são responsáveis pelas mudanças climáticas atuais, e que devem tomar medidas assim como desenvolver instrumentos financeiros para conter as conseqüências devastadoras nos países em desenvolvimentos", resumiu o ministro alemão.

Uma das maiores conseqüências da industrialização dos últimos 150 anos nos países ricos é o desflorestamento, responsável por 20% do CO2 na atmosfera. As florestas têm a capacidade de absorver o dióxido de carbono.

Os Estados Unidos, representados pelo diretor de sua Agência para a Proteção do Meio Ambiente, Stephen L. Johnson, se opõem a um segundo ponto relativo à negociação de emissões de CO2, segundo Gabriel.

Sem o apoio de países emergentes como China e Índia, cujas emissões de CO2 ultrapassarão as dos Estados Unidos em 2015, a luta contra o aquecimento climático está perdida de antemão.

A reunião de Potsdam serviu para preparar o terreno para a cúpula do G8 em Heiligendamm (norte da Alemanha), de 6 a 8 de junho, para a qual foram convidados também os chefes de Estado e de governo do Brasil, do México e de outros três países emergentes, e que terá como tema principal as mudanças climáticas.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,12
    3,283
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,05
    63.226,79
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host