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22/03/2007 - 17h16

Alerta sobre gripe das aves continua, apesar de número menor de casos que em 2006

Por Katia Dolmadjian - VERONA, Itália, 22 mar (AFP) - Os focos de gripe das aves não aumentariam este ano, ao contrário do que ocorreu em 2006, embora a luta contra o vírus continue na ordem do dia, avaliaram nesta quinta-feira especialistas reunidos em Verona (sul da Itália) em uma conferência internacional sobre o tema, no mesmo dia em que as autoridades de Bangladesh confirmaram o primeiro foco da doença no país.

O primeiro foco da cepa H5N1 da doença foi detectado em uma granja de Savar (40 km a oeste da capital bengalesa, Daca), e as autoridades já iniciaram o sacrifício maciço de aves do local afetado.

"Começamos a sacrificar aves na granja infectada e agora tomaremos medidas especiais, inclusive a restrição no transporte de aves dentro de um raio de 10 quilômetros para conter (a disseminação da) doença", disse o porta-voz do governo, Syed Fahim Munaim, após uma reunião de emergência do gabinete para traçar a estratégia para o combate.

Outras medidas incluem a realização de check-ups nos trabalhadores das granjas que possam ter tido contato com as aves infectadas. De volta à Itália, a conferência, organizada pela Agência das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e o Instituto Zooprofilático da região de Veneza (IZSV) de 20 a 22 de março, permitiu a cientistas de todo o mundo trocar informações sobre o vírus e comparar suas experiências na vacinação animal.

"Evidentemente não temos bola de cristal, mas podemos dizer que não estamos na (mesma) situação de 2006", ano em que a gripe das aves se instalou, principalmente na África, explicou à AFP Joseph Domenech, chefe dos veterinários da FAO.

"Observamos no âmbito mundial um declive em termos de quantidade viral. A presença da doença mundial no seio da população de gansos selvagens é menos elevada que no ano passado, quando houve um aumento do vírus", disse Bernard Vallat, diretor-geral da OIE.

"Encontramos, por exemplo, muito menos aves mortas, seja onde for no mundo, e portanto o vírus circula menos. Portanto, não esperamos para 2007 uma explosão de novos focos, embora sempre exista o risco de fenômenos localizados", destacou Vallat.

Para o encarregado da OIE, as aves selvagens "talvez tenham aprendido a resistir naturalmente ao vírus" ou a agressiva cepa H5N1 poderia estar enfraquecendo, já que "todas as cepas que nascem acabam morrendo um dia".

"Globalmente, os sistemas de alerta, detecção e reação são atualmente muito mais rápidos na maioria dos países envolvidos, e as respostas dadas são muito melhores. O vírus circula menos, há menos focos e muitos estão controlados", insistiu Joseph Domenech.

No entanto, seria "ilusório e irreal" pensar em erradicar a curto prazo um vírus "que continua circulando e que, portanto, pode reaparecer constantemente", previu o chefe dos veterinários da FAO.

"Estamos sempre em risco de aparecimento de uma pandemia. Será preciso manter a vigilância ao longo dos anos. E será preciso viver com este vírus como se convive com muitas outras doenças, embora este seja um pouco especial", sustentou.

Tanto para a FAO quanto para a OIE, a constatação é a mesma: ainda que as soluções para lutar contra a gripe das aves tenham demonstrado eficácia, a chave continua sendo a vontade política de cada país na hora de implementá-las.

"Ainda há três países que não sáo capazes de administrar a situação: Indonésia, Egito e Nigéria, que mantêm reservas do vírus que podem se espalhar" para fora de suas fronteiras, advertiu Vallat.

A cepa altamente patogênica H5N1 da gripe das aves matou 171 pessoas no mundo desde 2003, a maioria na Indonésia, onde foram registradas 66 mortes. Atualmente o contágio ocorre quando as pessoas têm contato direto com aves doentes, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, especialistas sanitários temem que esta cepa possa sofrer uma mutação, transformando-se em uma forma transmissível entre humanos, provocando uma pandemia com potencial para matar milhões de pessoas no mundo.

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