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22/03/2007 - 13h10

Duas em cada três pessoas correm risco de sofrer com escassez de água, alerta

a FAOROMA, 22 mar (AFP) - A ONU lançou nesta quinta-feira, em Roma, um grito de alerta sobre a situação dos recursos hídricos do planeta ao enfatizar que dois em cada três habitantes estão ameaçados com a escassez até 2025.

Por ocasião de uma conferência internacional organizada na sede da FAO em Roma em função do Dia Mundial da Água 2007, seu diretor-geral, Jacques Diouf, enfatizou a grave preocupação da agência da ONU quanto ao fato de que 1,2 bilhão de pessoas já vivem em zonas de déficit de água e que 500 milhões a mais estão ameaçadas de escassez em curto prazo.

"Até 2025, dois terços da população mundial correm o risco de ficarem expostos a condições de estresse hídrico (escassez de água)", afirmou o diretor da agência da ONU para a Agricultura e Alimentação (FAO).

Enquanto 70% dos recursos de água são utilizados para a agricultura, a queda generalizada dos recursos por causa das mudanças climáticas e poluição de muitos rios que servem para a irrigação representa uma ameaça direta à alimentação dos países do sul, recordou Diouf.

O mundo deve tomar consciência de que a luta por uma água limpa e acessível para todos se converteu numa prioridade universal, afirmou.

"O acesso à água condiciona tanto o desenvolvimento da luta contra a fome, que afeta ainda cerca de 850 milhões de seres humanos, uma cifra que está estancada, como a paz entre países fronteiriços com lagos e rios", enfatizou.

"Como comunidade mundial temos os meios de melhorar amplamente a gestão de nossos recursos hídricos e permitir que mais pessoas tenham acesso à água", afirmou o diretor-geral da FAO.

Diouf pediu investimentos nos programas de melhoria dos sistemas de conservação e de alimentação de água, que protegem os ecossistemas da terra e que preservam a umidade pluvial e utilizam mais eficazmente a água para a produção em viveiros".

Convidada à conferência, Maria Mutagamba, ministra ugandense da Água e Meio Ambiente, enfatizou que a África, que dispõe de 9% dos recursos hídricos do planeta, só utiliza 3,8% dos mesmos.

Os recursos hídricos estão muito mal distribuídos geograficamente, explicou, assinalando que o nível do Lago Vitória, a maior reserva de água doce na África, registrou em 2005 dois metros abaixo do normal.

"Graças às medidas adotadas em comum pelos países vizinhos, pudemos aumentar este nível em 70 centímetros em 2006, mas estamos inquietos ante a próxima temporada", afirmou.

Em uma mensagem na conferência, o comissário europeu de Desenvolvimento e Ajuda Humanitária, o belga Louis Michel, reiterou o compromisso da União Européia de trabalhar com os países do sul para que o acesso a uma água de qualidade se converta numa realidade para todos.

Desde 2002, a Europa mobilizou 400 milhões de euros (520 milhões de dólares) em curto prazo para a melhoria do acesso à água e de 475 milhões de euros (615 milhões) a mais longo prazo dentro do Fundo Europeu de Desenvolvimento para os Países da África, Caribe e Pacífico, recordou Michel.

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