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27/03/2007 - 16h00

Lixo ameaça a região de Nápoles

Por Andrea Bambino=(FOTOS)= CAIVANO, Itália, 27 mar (AFP) - A região italiana de Nápoles (sul) submerge sob montanhas de resíduos de lixo não-reciclável, aos pés de um centro de tratamento, resultando em uma bomba ecológica para a saúde da população.

O centro de tratamento de lixo se situa ao longo de uma estrada, na região de Caivano, onde ficam centros comerciais, fábricas e imóveis em construção há anos.

Os resíduos urbanos tratados pelo Centro de Tratamento (CDR) são compactados em lotes de plástico, que se acumulam uns sobre os outros à espera de serem queimados.

Entretanto, "sua combustão é impossível, porque o CDR não é capaz de fazer uma seleção entre dejetos secos e úmidos", explica o toxicólogo do Instituto do Câncer de Nápoles, Antonio Marfella.

"Caso se decomponham, produzem um líquido tóxico que pode se infiltrar nos solos e no lençol freático", continuou.

Em Campania, na região de Nápoles, existem cerca de 400.000 toneladas de sacos de lixo como os de Caivano, segundo números oficiais.

"A única solução seria secá-los um por um e, depois, enterrá-los. O que levaria, pelo menos, dez anos", explica o comissário do governo encarregado dos resíduos em Campania, Guido Bertolaso.

Em uma região com cerca de 6 milhões de habitantes, onde a máfia local, a Camorra, transformou em negócio o tratamento clandestino de resíduos industriais desde os anos 80, as autoridades estimam em 500.000 toneladas a quantidade de lixo "descarregado em locais de despejo ilegais ou às escondidas", calcula Bertolaso.

A paisagem ao redor de Caivano está desfigurada devido aos despejos de lixo às vezes ocorrem queimadas que liberam fortes odores tóxicos.

"Isto desprende dioxina, há amianto que queima. É uma verdadeira loucura!", afirma Marfella em visita ao local com um grupo de jornalistas.

A região foi apelidada em 2004 como "o triângulo da morte" pela revista científica The Lancet Oncology, porque os índices de mortalidade por câncer de fígado, laringe e leucemia são superiores aos do resto do país. Este aumento poderia ser explicado pela contaminação da água e de frutas e verduras cultivadas por substâncias tóxicas.

Neste "triângulo da morte", vinte povoados tiveram que proibir a indústria pastoril em suas terras em 2004, pois a quantidade de dioxina encontrada nos rebanhos de ovelhas e cabras era dez vezes superior à permitida.

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