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02/04/2007 - 18h29

Cientistas britânicos criam válvula cardíaca a partir de células-tronco

LONDRES, 2 Abr 2007 (AFP) - Uma equipe de cientistas britânicos criou uma válvula cardíaca a partir de células-tronco, um marco na medicina que supõe uma nova etapa visando à criação de um coração humano completo, informa nesta segunda-feira o jornal The Guardian.

Este avanço poderá abrir o caminho para a produção de "corações de reposição" dentro de uma década, afirmaram à AFP, lembrando que para tornar isto possível será necessário um amplo esforço internacional.

A equipe chefiada pelo egípcio Magdi Yacoub, professor de cirurgia cardíaca do Imperial College, em Londres, nascido no Egito, cultivou células-tronco, extraídas da medula óssea, para produzir um tecido que funcionasse como uma válvula do coração humano.

As células-tronco são células indiferenciadas que podem se tornar especializadas e, virtualmente, se renovar indefinidamente. Elas têm sido alvo de várias pesquisas no âmbito da regeneração de tecidos, na esperança de que um dia possam reparar ou até substituir órgãos inteiros.

"Nós obtivemos uma espécie de novo tecido de válvula rudimentar", explicou à AFP Adrian Chester, um dos principais cientistas da equipe.

"Utilizamos vários estímulos mecânicos para provocar esta mudança na função da célula. Ainda precisamos de três anos antes de podermos testá-la em um animal", acrescentou.

"Os testes em animais permitirão aos cientistas determinar como os tecidos se comportam com a pressão sangüínea, antes de serem testados em seres humanos", continuou.

Até agora os cientistas haviam criado tendões, cartilagens ou vesículas, mas nunca nada tão complexo como uma válvula cardíaca, ressaltou o o The Guardian.

Em vista da falta de órgãos, algumas funções poderiam ser substituídas por sistemas artificiais, mas não todas.

Além disso, uma válvula cardíaca criada a partir de células-tronco será de qualidade totalmente diferente das artificiais utilizadas atualmente.

"Uma válvula viva antecipa os movimentos do sangue e reage ao mudar de forma ou tamanho", explicou o professor Yacoub em declarações ao The Guardian.

Hoje, a esperança de se produzir corações inteiros existe, mesmo que o procedimento seja complicado, disse Chester.

"O objetivo a longo prazo de produzir um coração inteiro poderá ser uma solução para a falta de doadores se formos capazes de fazer corações de reposição", afirmou.

Mas este projeto "está apenas engatinhando porque um coração inteiro é um órgão muito mais complexo, com células especializadas e ligado por veias. É por isso que isto vai levar pelo menos dez anos, provavelmente", acrescentou.

O professor Colin McGuckin, um pesquisador da Universidade de Newcastle, que conseguiu produzir, artificialmente, um fígado humano em miniatura, saudou esta experiência, lembrando que o cientista alemão Christof Stamm também teria conseguido, segundo suas informações, produzir tecidos de válvulas cardíacas no ano passado usando células-tronco.

"É a primeira vez que se consegue este feito neste país. Mesmo que duas equipes consigam chegar a este resultado, a partir de células-tronco, é algo assombroso", afirmou.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 15 milhões de pessoas morreram por enfermidades cardiovasculares em 2005.

O estudo da equipe do professor Yacoub deverá ser publicado na edição especial de agosto do jornal científico Philosophical Transactions of the Royal Society.

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