UOL Notícias Notícias
 

04/04/2007 - 17h40

Mudança climática também ameaça Marte

Por Marlowe Hood PARIS, 4 abr (AFP) - Num ritmo quatro vezes superior do que o da Terra, a mudança climática também poderá afetar Marte, devido à interação de dois fenômenos - a poeira levantada por ventos fortes e as mudanças na absorção dos raios solares refletidos na superfície do planeta -, diz um novo estudo que será publicado na edição desta quinta-feira da revista científica britânica Nature.

Cientistas analisaram a correlação entre as temperaturas oscilantes do planeta - de 87 a 5 graus negativos, de acordo com a estação e a região - e o grau de escuridão ou luminosidade nas extensões da superfície.

A resposta está na poeira brilhante espalhada pelo solo marciano, que reflete a luz do sol e devolve calor ao espaço, um fenômeno denominado albedo.

Mas quando a poeira avermelhada é levantada por ventos violentos, a superfície afetada perde sua capacidade de reflexão. Assim, a atmosfera marciana passa a receber mais calor e, portanto, as temperaturas aumentam.

O estudo mostra pela primeira vez que estas variações não só resultam das tempestades, mas também contribuem para criá-las. Sugere, ainda, que a mudança climática ocorre neste momento no planeta vermelho a um ritmo inclusive mais rápido do que se observa na Terra.

Os autores do estudo, chefiados por Lory Fenton, cientista da Nasa, agência espacial americana, descrevem o fenômeno como um sistema de "feedback positivo", em outras palavras, um círculo vicioso no qual as mudanças de albedo fortalecem os ventos, que por sua vez levantam mais poeira, provocando uma elevação das temperaturas.

O fenômeno é comparável ao efeito da mudança climática em regiões nevadas da Terra.

Quando a neve derrete, a luz refletida diminui, a atmosfera absorve mais radiação solar e a temperatura sobe. Quando volta a nevar, as novas camadas de gelo permitem o resfriamento.

Na Terra, a mudança climática está associada, sobretudo, à atividade humana, em particular à emissão de gases de efeito estufa na atmosfera, que provocam uma maior absorção de luz solar.

Mas as mudanças de temperatura no globo terrestre também estão ligadas a fenômenos naturais, como variações na órbita e nos eixos de rotação ou a liberação de gases pelos vulcões ou pela vegetação.

Nos últimos 30 anos, foi registrado em Marte um número incomum de tempestades de grande proporção que escurecem o planeta vermelho.

Segundo modelos informatizados, as temperaturas da atmosfera marciana aumentaram 0,65 grau entre os anos 70 e 90.

O gelo residual no pólo sul do planeta vermelho também encolheu nos últimos quatro anos.

Na Terra, a temperatura média aumentou 0,75 grau no último século.

Para medir as mudanças no comportamento da luz refletida, Fenton e sua equipe compararam as imagens térmicas de Marte captadas pela missão Viking da Nasa no fim dos anos 1970 com outras semelhantes capturadas mais de 20 anos depois pelo Global Surveyor.

Marte é o quarto planeta mais próximo do Sol, com uma superfície de 230 milhões de quilômetros quadrados. O dia marciano dura 24 horas e 62 minutos, tempo que o planeta leva para rodar em torno de seu próprio eixo. A órbita do planeta em torno do Sol, ou seja seu ano, corresponde a 686,93 dias terrestres. Sua atmosfera é composta basicamente de dióxido de carbono.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,02
    3,136
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,02
    75.974,18
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host