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05/04/2007 - 15h47

Cientistas descobrem variação genética que determina o tamanho dos cães

WASHINGTON, 5 Abr 2007 (AFP) - A variação de apenas um gene determina o tamanho dos cachorros, segundo geneticistas americanos que vêem nessa descoberta, anunciada nesta quinta-feira, um modelo de investigação para explicar as causas genéticas dos anormalidades morfológicas e de enfermidades nos humanos.

Do Chiuahua ao São Bernardo, os cães são os mamíferos com a maior variedade de tamanhos, lembram os cientistas.

Uma comparação do DNA de todos e a identificação da zona do genoma canino que difere entre pequenos e grandes cachorros permitiram determinar que uma variação do gene IGF1 explicava a grande variedade de tamanhos.

O IGF1 atua sobre a produção de um hormônio de crescimento e, de acordo com outro estudo, os cães são maiores quando seu sangue contém uma maior quantidade desse hormônio.

Uma versão defeituosa desse gene é responsável pelo tamanho pequeno dos ratos e mais raramente nos humanos.

Para confirmar os resultados de sua pesquisa inicial, os cientistas também realizaram uma análise genética de 3.241 cachorros de 143 raças, dos menores aos maiores, entre os quais Chiuahuas, Lulus-da-Pomerânia, Pequineses, São Bernardos e Dinamarqueses.

"Todos os cães que pesam menos de 9 quilos têm a mesma variação desse gene, é extraordinário", disse Gordon Lark, biólogo da universidade de Utah, um dos 21 co-autores da pesquisa.

"É curioso ver que uma quantidade tão grande de cachorros de raças pequenas é fruto da mutação de um único gene", revelou Carlos Bustamante, professor de biologia da universidade de Cornell (Nova York), um dos co-autores dos trabalhos, publicados na revista Science.

Segundo Bustamante, "essa pesquisa demonstra a utilidade do modelo de investigação genética do cão doméstico para descobrir genes fundamentais nos mamíferos".

"Ao aprender como os genes controlam o tamanho dos cachorros, avançamos em nossa compreensão sobre a maneira pela qual se programa geneticamente o tamanho dos humanos, e também sobre os mecanismos de enfermidades como o câncer", explicou Elaine Ostrander, do Instituto Nacional Americano de Pesquisas sobre o Genoma Humano (NHGRI), que coordenou o estudo.

Todos os cães descendem do lobo e começaram a ser domesticados pelo homem entre 12 e 14 mil anos atrás.

Essa variação genética estava aparentemente presente desde o princípio da domesticação, apontam os pesquisadores.

"Dado que essa mudança genética está presente em todos os cachorros pequenos, apareceu no início da domesticação dos cães, ou foi herdada de um lobo muito pequeno", observa Gordon Lark, acrescentando que essa mutação do gene IGF1 não existe atualmente no animal selvagem.

A evolução genética talvez tenha resultado do fato que esse pequeno lobo hipotético não tenha conseguido sobreviver na natureza, mas somente sob a proteção dos humanos. "Essa seleção não-natural teria levado assim à proliferação mundial de cachorros de pequeno porte, concluiu.

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