UOL Notícias Notícias
 

11/04/2007 - 16h16

Estudo com células-tronco embrionárias nos EUA é inevitável, afirmam cientistas

Por Jean-Louis Santini WASHINGTON, 11 abr (AFP) - A comunidade médica americana insiste na suspensão das restrições federais ao financiamento das pesquisas com células-tronco embrionárias, que consideram essenciais para compreender os mecanismos fundamentais da vida e tratar várias doenças hoje incuráveis.

Depois da Câmara de Representantes em janeiro, o Senado deve aprovar nesta quarta-feira um texto que elimina os entraves a este tipo de pesquisa, impostos pelo presidente George W. Bush em 2001 em nome da defesa da vida desde a concepção.

Bush, que deverá apresentar seu veto a este texto pela segunda vez, impede desde 2001 que os cientistas subvencionados com recursos federais produzam novas linhagens de células-tronco provenientes de embriões humanos, forçando-os a se limitar às linhagens existentes, das quais só umas 20 podem ser usadas atualmente.

As células no centro da polêmica provêm de embriões excedentes deixados por casais que se submetem a tratamentos de fertilização in vitro.

O presidente Bush e seus aliados da direita cristã se opõem à pesquisa com estas células porque consideram que seu uso causa a destruição do embrião, ao qual consideram como vida humana, mesmo que acabem sendo destruídos de qualquer forma depois de passarem algum tempo armazenados nas clínicas de fertilidade.

Além disso, eles acreditam que as células-tronco adultas ou procedentes da placenta têm o mesmo potencial de pesquisa que as células-tronco embrionárias. No entanto, autoridades médicas americanas insistem no potencial destas últimas no desenvolvimento de novas técnicas de tratamento de doenças.

"Penso que as pesquisas com todos os tipos de células-tronco devem continuar", disse recentemente Elias Zerhouni, diretor do Instituto Nacional de Saúde americano (NIH, na sigla em inglês).

Durante audiência parlamentar, Zerhouni afirmou que "a ciência não demonstrou que as células-tronco adultas tenham potencial igual ou superior que o das células-tronco embrionárias". "Acho que seu potencial foi exagerado", afirmou.

As pesquisas com células-tronco não têm como único objetivo substituir as células do corpo destruídas acidentalmente ou por causa de doenças, mas também "compreender pela primeira vez como o DNA reprograma" as células, explicou Zerhouni.

Para isto, explicou, faltam cópias de células já programadas, como as células-tronco adultas, e exemplares de células nunca programadas, como as embrionárias.

"A importância crucial destas pesquisas é que o país que compreender isto estará numa posição dominante, como os Estados Unidos estiveram no século XX durante a revolução das tecnologias da informação", afirmou, acrescentando que "a pesquisa com células-tronco se volta parta o próprio programa da vida".

Prova do potencial das células-tronco embrionárias foi o estudo publicado no domingo na revista científica britânica Nature sobre como ratos com uma degeneração incurável e mortal de células nervosas foram curados com injeções de células embrionárias humanas, algo inédito, segundo os autores da pesquisa.

As células-tronco e principalmente aquelas que provêm do embrião são potencialmente capazes de tomar a forma de qualquer célula do corpo, seja ela cardíaca, renal ou nervosa, por exemplo.

"Os limites impostos pelo presidente Bush aos trabalhos com células-tronco embrionárias poderiam bloquear os esforços desta pesquisa ao nível nacional", limitando os Estados Unidos perante outros países, lamentou Brock Reeve, diretor do Instituto de Células-tronco da Universidade de Harvard (Massachusetts, nordeste).

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,12
    3,283
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,05
    63.226,79
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host