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12/04/2007 - 16h49

'Blogers' se rebelam contra projeto de código de boa conduta na internet

Por Glen Chapman SAN FRANCISCO, EUA, 12 abr (AFP) - A publicação, nesta semana, de um projeto de código de boa conduta nos 'blogs' (diário na internet), que viraram mania na rede, despertou a ira de seus autores ou 'blogers', que se rebelaram contra qualquer tipo de regulamentação que, afirmam, poderia pôr um fim à liberdade de expressão de que desfrutam os internautas hoje.

Tim O'Reilly, fundador do "Web 2.0" (termo usado para descrever a segunda geração da World Wide Web), e Jimmy Wales, criador da enciclopédia Wikipedia (um dos ícones deste conceito), publicaram na rede um "projeto" que propõe um "código de boa conduta do blog" para impor a cortesia na rede.

A idéia do texto foi de O'Reilly, depois da publicação de ameaças de morte anônimas no 'blog' da autora Kathy Sierra, sua amiga, um incidente que alarmou a 'blogosfera' americana nas últimas semanas.

"Uma cultura se baseia em acordos partilhados que nos permitem viver juntos", escreveu O'Reilly ao apresentar o pedido de um código de conduta.

Devemos "nos assegurar de que a cultura que criamos com nossos 'blogs' é uma da qual nos sentimos orgulhosos", acrescentou.

Mas a divulgação de um primeiro esboço de regras de conduta para os comentários na rede incomodou os internautas, que acusaram seus autores de agirem como caciques da nova era, desprezando o precioso direito à liberdade de expressão.

"É incrível o que está acontecendo aqui", reclamou um internauta, identificado como Marcus, no site de O'Reilly.

"Os chamados 'modelos comunitários' são apenas o último exemplo dos agentes da normalidade tentando, inconscientemente, organizar, ditar, domesticar e apaziguar", denunciou.

O código proposto pede que seja apagado o conteúdo dos 'blogs' que for abusivo, ameaçador, difamatório, falso ou que viole as promessas de confidencialidade ou direito à privacidade.

"Assumimos a responsabilidade por nossas próprias palavras e pelos comentários que permitimos em nosso blog", diz o texto.

"Não diremos nada na internet que não diríamos pessoalmente", continua.

O'Reilly sugere que os 'blogers' que adotarem a última versão do código coloquem em seus sites a imagem da insígnia da polícia, com a inscrição "civility enforced" (civilidade reforçada).

Os que se negarem a adotá-lo se identificariam com uma banana de dinamite acesa e a inscrição "anything goes" (tudo é permitido).

"Amo a 'civilidade', mas prefiro usar 'tudo é permitido'", escreveu o 'bloger' Joe Hunkins em mensagem destinada a O'Reilly.

Os 'blogers' temem que a proibição do anonimato limite os comentários procedentes de países contrários à liberdade de expressão.

"Em regimes autoritários e cruéis, só faremos críticas ao regime se quisermos ser enforcados", escreveu o "espectador paquistanês", em resposta a esta proposta.

"Os 'blogs' são uma forma única e esplêndida de protestar contra tais regimes para as pessoas oprimidas", continuou.

Segundo David Sifry, fundador do motor de buscas Technorati, especializado em listar blogs, os 'blogers' têm a liberdade de retirar os comentários que considerarem inapropriados de seus sites.

"Um dos princípios que levaram à criação da internet é o da livre expressão", disse à AFP.

"Não estou certo de que um código de conduta seja a resposta", disse, por sua vez, Mike Tippett, um dos fundadores do site de informação "NowPublic".

Segundo ele, as pessoas não usam códigos de civilidade para fazer ligações ou enviar cartas.

De acordo com o Technorati, o número de "blogs" passou de 8 milhões, em março de 2005, para mais de 72 milhões, em março de 2007.

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