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16/04/2007 - 14h11

França alertou os EUA em 2001 sobre projeto de desvio de aviões

PARIS, 16 abr (AFP) - Os serviços franceses de inteligência alertaram em janeiro de 2001, oito meses antes dos atentados de 11 de setembro, seus colegas americanos sobre um projeto de desvio de aviões pela rede terrorista Al-Qaeda, revelou nesta segunda-feira o jornal francês Le Monde.

O jornal publicou a primeira página de uma "nota de síntese" classificada como "confidencial-defesa" e elaborada pela Direção Geral da Segurança Externa (DGSE, espionagem).

A nota de cinco páginas, datada de 5 de janeiro de 2001 e intitulada "Projeto de desvio de avião por radicais islâmicos", foi transmitida alguns dias depois ao chefe da CIA em Paris, Bill Murray, afirma o Le Monde.

Esta nota, à qual a AFP teve acesso integral, anuncia que "membros da organização de Osama bin Laden, em cooperação com representantes do movimento talibã e grupos armados chechenos, preparam desde o início do ano 2000 um projeto de desvio de avião".

A nota formula a hipótese de um projeto de desvio de um avião americano entre a Alemanha e os Estados Unidos. O ponto de partida do aparelho seria Frankfurt, onde estaria uma célula da Al-Qaeda. Segundo esta hipótese, o avião teria sido em seguida desviado para Kandahar, no sul do Afeganistão.

O chefe dos pilotos responsáveis pelos atentados suicidas de 11 de setembro de 2001, Mohamed Atta, havia formado em 1999 uma célula da Al-Qaeda em Hamburgo, na Alemanha.

Esta nota também cita sete companhias aéreas como alvos potenciais deste desvio, entre as quais American Airlines e United Airlines, as duas companhias americanas cujos aviões foram desviados pelos terroristas no dia dos atentados em Nova York e Washington.

Contactada pela AFP, a DGSE não quis fazer comentários sobre o assunto.

A nota confirma também que em outubro de 2000, Bin Laden decretou que a técnica do desvio de aviões seria utilizada em sua próxima ação contra os Estados Unidos. No entanto, na mesma época, houve divergências sobre as diferentes estratégias que poderiam adotar os dirigentes da Al-Qaeda.

O relatório da comissão de investigação do Congresso americano sobre os atentados de 11 de setembro, publicado em julho de 2004, havia denunciado a incapacidade do FBI (contra-espionagem) e da CIA em unificar os dados procedentes de diversas fontes.

A comissão de investigação nunca mencionou informações que a CIA teria repassado ao poder político e que teriam sido transmitidas pelos serviços franceses, referentes à estratégia de Bin Laden de organizar desvios de aviões americanos.

A investigação conduzida pelo Le Monde, assinada por Guillaume Dasquié, autor de dois livros sobre a Al-Qaeda, se baseia em 328 páginas de notas, de cartas, de gráficos e de fotos por satélite "confidencial da defesa" reunidos pela DGSE entre julho de 2000 e outubro de 2001.

Estes documentos revelam que a DGSE, que havia criado uma "célula Bin Laden" já em 1995, conhecia bem a organização terrorista, suas estratégias e seu financiamento.

Os documentos mostram que a DGSE monitorava desde agosto de 2000 o egípcio Midhat Mursi, mais conhecido como Khabab al-Masri, o chefe dos fabricantes de bombas da Al-Qaeda morto durante um bombardeio americano no Paquistão, perto da fronteira afegã, em janeiro de 2006.

Uma das notas também revela que a Al-Qaeda colocou em 2001 suas infra-estruturas à disposição do Grupo Salafista para a Predicação e o Combate (GSPC), rebatizado em janeiro de 2007 braço da Al-Qaeda no Magreb.

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