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21/04/2007 - 12h21

Jacques Chirac, um "animal político" de múltiplas facetas

Por Michel Leclercq PARIS, 21 abr (AFP) - O presidente francês, Jacques Chirac, que se retira em silêncio do poder, depois de 12 anos à frente do Estado, teve uma longa vida política.

Aos 74 anos, dos quais 42 em uma vida pública rica em crescimento, este homem batalhador traçou um caminho fora do comum: duas vezes presidente, duas vezes primeiro-ministro, 18 anos prefeito de Paris...

Além disso, venceu duas eleições presidenciais, 1995 e 2002, contrariando todas as expectativas.

Seus partidários vêem nele um homem caloroso, generoso, sempre atento aos outros. Seus adversários o descrevem como um presidente "versátil", sem visão, "mais capaz de conquistar o poder que de exercê-lo".

Seus biógrafos concordam em reconhecer que o homem é muito mais complexo do que a imagem que sempre passou: um "bon vivant" de fala direta, fã de cerveja mexicana e carne de vitela, enfrenta com gosto as multidões, "acariciando" o pelo das vacas nas feiras agrícolas.

Este homem sempre em movimento também é um apaixonado pelo Ásia, fã do sumô, grande defensor dos "povos esquecidos", artesão do diálogo das culturas.

Na sua juventude, entrou num barco com destido aos Estados Unidos onde, durante vários meses, trabalhou como garçom.

Mas este filho único se manteve, finalmente, fiel aou meio burguês, integrando a Escola nacional de Administração que forma as elites francesas.

Foi nesta época que encontrou a futura mulher, Bernadette Chodron de Courcel, com quem teve duas filhas, Laurence e Claude.

A primeira eleição deste gaulês pragmático foi em 1965 para um burgo de Corrèze, um departamento rural do centro da França onde foi deputado durante quase 30 anos.

Sua carreira política pode ser considerada fulgurante: ministro ininterrupto de 1967 a 1974, duas vezes chefe de Governo -no mandato do presidente de centro direita Valéry Giscard de Estaing de 1974 a 1976 então durante o período de "coabitação" (convivência) com o socialista francês Mitterrand de 1986 a 1988.

Foi eleito três vezes prefeito de Paris de 1977 a 1995. Deste reduto parisiense, ele se lançou por duas vezes, sem sucesso, à conquista do Elysée, em 1981 e 1988. Isso sem contar as derrotas que soube superar com uma energia fora do comum.

Eleito presidente em 1995, foi amplamente reeleito em 2002 (82% dos votos contra o líder da extrema direita Jean-Marie Le Pen), cinco anos após ter cometido um grave erro político: a dissolução da Assembléia Nacional que, majoritariamente à direita, transita pela esquerda impondo-lhe uma longa convivência com o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin.

Suas várias lutas lhe valeram a reputação de um "matador" que criou um vazio em torno dele. Mas não conseguiu impedir este ano a caminhada na direção do palácio presidencial do Elysée empreendida por Nicolas Sarkozy, seu rival desde que a aliança deste último com Edouard Balladur em 1995.

Chirac também foi comparado a um "camaleão": advogado trabalhista à francesa nos anos 1970, ele passou para um defensor do liberalismo dez anos mais tarde, antes de denunciar a "fratura social" em 1995.

O fim de seu reinado foi marcado por seu "ano negro" de 2005: fiasco do referendo europeu, motins nas periferias e um acidente vascular cerebral que alimentou as incertezas sobre seu estado de saúde.

Foi nesta época que, segundo as pesquisas de opinião, os franceses viraram a página do "chiraquismo": mais de 75% deles não queriam que ele disputasse mais um mandato.

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