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26/04/2007 - 14h17

Médicos franceses fazem a primeira cirurgia do mundo sem cicatrizes

Por Brigitte Castelnau=(FOTOS)= PARIS, 26 abr (AFP) - Uma equipe de médicos franceses realizou, com sucesso, a primeira cirurgia sem cicatrizes do mundo, ao retirar a vesícula biliar de uma mulher de 30 anos pela vagina.

"Que eu saiba, é a primeira cirurgia deste tipo no mundo", explicou o professor Jacques Marescaux, responsável pela intervenção.

A cirurgia marca uma nova etapa na evolução das técnicas de cirurgia digestiva, denominada de minimamente invasiva (por meio de incisões), o que permite reduzir o tempo de hospitalização e as complicações pós-operatórias.

"O sucesso da operação, realizada em 2 de abril em um hospital universitário de Estrasburgo (leste da França), é o resultado de três anos de pesquisas no âmbito do projeto Anubis (de 7,2 milhões de euros)", explicou Marescaux à AFP nesta quinta-feira.

Os médicos fizeram a cirurgia, executando seus movimentos com a ajuda de imagens transmitidas a um computador.

Um endoscópio flexível, dotado de uma câmara e de um bisturi, bem como uma pinça e tesouras foram introduzidos pela vagina da paciente até chegar à sua vesícula, que foi retirada pelo mesmo local, explicou o médico.

A paciente, operada com anestesia geral, tinha cálculos na vesícula. Ela não sentiu dores depois da cirurgia e ficou hospitalizada por 48 horas.

"Esta estréia cirúrgica foi apresentada no fim de semana passado em Las Vegas no congresso da Sociedade Americana de Cirurgia Endoscópica (SAGES) e recebida com entusiasmo", destacou.

Este conceito de cirurgia é denominado "endoscopia transluminal por via natural", e foi iniciado em 2004 de forma experimental, acrescentou.

Em 20 de março passado, uma equipe americana deu um passo importante, segundo este especialista, com uma operação de vesícula por via mista, ou seja, transvaginal e transabdominal.

Mas neste caso, as tesouras, a pinça e os demais instrumentos foram introduzidos pela barriga e não pela vagina.

No caso da paciente francesa, só uma pequena agulha, de 2 milímetros, perfurou a parede do ventre para insuflar o gás destinado a distendê-lo para a realização da cirurgia.

Esta nova cirurgia "transluminal" (em anatomia, luz significa orifício ou interior oco de um órgão) pode passar por outros orifícios, como o estômago, a uretra e o reto.

Suas vantagens são a facilidade de acesso a alguns órgãos, sobretudo em pacientes obesos, a ausência de traumatismo da parede abdominal e o fato de não deixar cicatrizes na pele.

O professor Marescaux também foi o criador, em 2001, da primeira operação de telecirurgia transatlântica com um cirurgião em Nova York e a paciente em Estrasburgo.

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