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26/04/2007 - 21h21

Stephen Hawking vivencia gravidade zero: 'podia ter continuado sem parar'

Por Patrick Moser=(FOTOS)= CABO CAÑAVERAL, EUA, 26 abr (AFP) - O astrofísico britânico Stephen Hawking, que passou a vida refletindo sobre a gravidade no Universo, ficou por alguns minutos livre de sua cadeira de rodas nesta quinta-feira e experimentou a falta de gravidade, voando com liberdade, algo que classificou de "assombroso".

"Foi assombroso... Podia ter continuado sem parar", relatou Hawking, de 65 anos, após aterrissar de uma viagem de duas horas em um Boeing 727-200 modificado e de paredes acolchoadas que, voando em parábolas como uma montanha-russa, produz períodos de ausência de gravidade.

A nave decolou esta tarde do Cabo Cañaveral, sob o comando de pilotos especialmente treinados, que subiram em um ângulo de 45 graus até os 10.000 metros de altitude, antes de descer, abruptamente, a 2.500 metros, dando aos passageiros 30 segundos de falta de gravidade.

O avião repetiu a manobra oito vezes, dando a Hawking um total de quatro minutos de ausência de gravidade. "O professor Hawking alçou vôo e hoje tocou o céu", disse Peter Diamandis, dono da empresa Zero-G.

O cientista viajou sentado durante a subida e, uma vez que a nave começou a descer, foi levantado por duas pessoas que o guiaram no ar, enquanto flutuava livremente.

"Espaço, lá vou eu", disse o cosmólogo, antes de decolar no avião do Centro Espacial Kennedy, no Cabo Cañaveral (leste da Flórida).

"Estou em cadeira de rodas há quase quatro décadas. A oportunidade de flutuar livremente, sem gravidade, será maravilhosa", continuou Hawking, antes da viagem.

Hawking, autor do best-seller "Uma breve história do tempo", sobre a origem do Universo e a criação do espaço-tempo, em que também aborda temas mais amplos como a metafísica, está quase totalmente paralisado por causa de uma doença degenerativa e depende de um computador e de um sintetizador para falar.

"É muito especial para mim voar com ausência de gravidade", celebrou o cosmólogo, vestido com um uniforme azul, nesta entrevista coletiva anterior à decolagem.

"Há tempos quero viajar ao espaço. Um vôo de gravidade zero é o primeiro passo para uma viagem espacial", acrescentou Hawking, que espera, eventualmente, realizar este sonho em 2009 a bordo da nave da "Virgin Galactic", desenvolvida pelo empresário britânico Richard Branson para realizar vôos suborbitais, nos quais o aparelho chega ao espaço, mas não em uma órbita estável.

Quatro médicos e duas enfermeiras acompanharam o cientista a bordo do avião "G-Force One", conhecido popularmente como "vomit comet" (cometa do vômito), devido aos efeitos desagradáveis que os passageiros que se submetem à experiência podem sentir.

A Corporação Gravidade Zero (Zero-G), operadora do avião, normalmente cobra 3.500 dólares por passageiro por um vôo de 90 minutos, mas o catedrático da Universidade de Cambridge viajou de graça, enquanto os outros oito lugares na aeronave foram leiloados, e o dinheiro, destinado a obras de caridade.

Na quarta-feira, a tripulação da nave fez um vôo de testes com um menino de 14 anos no lugar do cientista.

Os vôos comerciais da Zero-G são similares aos que a agência espacial americana (Nasa) realizou nos últimos 40 anos para treinar astronautas. A Zero-G diz que a experiência dentro do avião é similar à de um salto em queda livre antes de se abrir o pára-quedas.

Stephen Hawking comentou que com sua experiência quer promover o interesse do público sobre os vôos espaciais, que segundo ele serão importantes para o futuro da humanidade.

"Acho que a raça humana não terá futuro se não voar ao espaço", sentenciou. "Acho que a vida na Terra está cada vez mais em risco de desaparecer por um desastre como o aquecimento global, a guerra nuclear, um vírus desenvolvido geneticamente ou outros perigos", acrescentou.

Hawking, titular da Cátedra Lucasiana de Matemática da Universidade de Cambridge - cargo que foi ocupado por sir Isaac Newton - sofre de uma doença degenerativa, a esclerose lateral amiotrófica, diagnosticada quando ele tinha 22 anos.

A doença o mantém preso a uma cadeira de rodas, mas não impediu que o cientista desenvolvesse trabalhos sobre cosmologia teórica, gravidade quântica, a natureza do espaço e do tempo, a teoria do "Big Bang" e os buracos negros.

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