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02/05/2007 - 18h23

Arqueólogos encontram tumba de cultura milenar nos Andes bolivianos

=(FOTOS)= TIWANAKU, BOLÍVIA, 2 mai (AFP) - A descoberta de uma tumba em escavações da pirâmide de Akapana, nos Andes bolivianos, começa a desvendar os mistérios da milenar cidade de Tiwanaku, onde uma cultura floresceu 1.200 anos antes de Cristo.

O arqueólogo boliviano Róger Cossío, do estatal Instituto Nacional de Arqueologia (INAR), encontrou no sábado passado ossadas, adornadas com vestimentas, vasilhas, uma lhama pequena e peças de ouro, que foram exibidas nesta quarta-feira.

Tiwanaku ('pedras paradas', na língua aimara) está 71 km a oeste de La Paz, na movimentada estrada internacional entre La Paz e a cidade peruana de Puno, sobre o Lago Titicaca.

Os restos mortais, possivelmente de um jovem de 20 anos, segundo Cossío, foram encontrados em posição fetal, depositados em um orifício de 80 centímetros de largura e um metro de profundidade no topo da pirâmide de Akapana ('daqui se mede', na língua nativa).

"Pela composição da terra e pelo local onde foi colocado é possível que se trate de um sacerdote ou de uma pessoa de posição importante, porque há adornos, vasilhas e as pedras de ouro e teria uma antiguidade estimada em 1.

000 anos", disse o arqueólogo boliviano.

Cossío também mostrou as duas peças de ouro: um diadema circular laminado de 5 centímetros de diâmetro, encontrada na parte frontal da cabeça, e um peitoral de 5x5 centímetros com uma figura antropomórfica (olhos, nariz e boca).

O cientista Javier Escalante, da estatal Unidade Nacional de Arqueologia, disse que "esta é uma das descobertas mais importantes dos últimos anos, porque encontramos os restos de um corpo humano quase completo, além das outras peças".

Ele disse que a tumba é "intrusiva", ou seja, as ossadas foram colocadas no local quando foi terminada a construção da pirâmide, que tem a forma de "T", altura de 18 metros e superfície de 4 hectares (194x194 metros), representando uma das maiores da América do Sul.

Akapana está em processo de uma trabalhosa reconstrução a cargo de várias equipes de arqueólogos.

Estima-se que a totalidade das ossadas seja escavada em um prazo de 30 dias com o propósito de estabelecer a existência de outras peças arqueológicas ou ossadas.

Neste trabalho, os pesquisadores usaram radares geodésicos "para tirar radiografias do solo" que, no entanto, têm uma profundidade muito limitada.

O vice-ministro de Desenvolvimento de Culturas, Pablo Groux, elogiou o trabalho dos arqueólogos bolivianos que, apesar das limitações técnicas, fazem uma valiosa reconstrução de uma cultura que sofreu o saque de seus recursos durante o período colonial espanhol e a época republicana.

Os trabalhos de escavação na pirâmide de Akapana, que está debaixo da terra, começaram há três anos com a ajuda da iniciativa privada.

O escritório de imprensa do vice-ministro de desenvolvimento de culturas lembrou que a cultura tiwanacota floresceu 15 séculos antes de Cristo, começou a minguar no século 10 depois de Cristo até desaparecer 200 anos depois, quando sua população de 100.000 pessoas foi dizimada, aparentemente, por secas terríveis.

A cultura tiwanacota, que teve seu centro às margens do Lago Titicaca, conseguiu se espalhar até o que é hoje o sul peruano e o norte argentino, segundo o pesquisador Escalante.

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