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09/05/2007 - 16h47

A carestia alimentar, uma ferida sempre aberta na Coréia do Norte

Por Philippe Agret =(FOTOS)= KAESONG, Coréia do Norte, 9 mai (AFP) - Dizimada por uma terrível fome nos anos 1990, a Coréia do Norte tem sempre aberta a ferida de uma crise alimentar crônica, que não consegue fechar apesar do recente aumento da ajuda alimentar, afirmam especialistas. Só 17% do território norte-coreano é cultivável, um dos índices mais baixos do mundo. Por isso, não é estranho que uma vez que se sai de Pyongyang, até o quintal das casas é cultivado, e além disso, de forma manual.

"A Coréia do Norte sofre um déficit alimentar crônico devido a problemas estruturais cuja solução consumiria anos", diz Jean Pierre de Margerie, diretor do Programa Alimentar Mundial (PAM) na Coréia do Norte.

O país viveu sua pior época entre 1995 e 1999, quando a fome deixou entre 800.000 e dois milhões de mortos, segundo números de fontes independentes.

Para fazer frente a isto, o PAM arrecadou dois bilhões de dólares correspondentes a quatro milhões de toneladas de alimentos entre 1995 e 2005, com os quais atendeu as necessidades de apenas um terço da população.

A fome, às vezes causada por secas, outras por inundações devastadoras, e o fim da ajuda soviética, após o fim da URSS, deixou uma marca indelével nos norte-coreanos.

Os grupos mais vulneráveis são as crianças pequenas e as mulheres grávidas.

Segundo um informe do PAM e da Unicef, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, que data de 2004, 37% das crianças norte-coreanas sofrem de desnutrição crônica.

No fim de março, Pyongyang pediu ao PAM um aumento de suas ajudas diante de um déficit alimentar de um milhão de toneladas, isto é, 20% das necessidades nacionais.

Segundo o PAM, um terço dos 23 milhões de norte-coreanos poderia precisar de uma ajuda alimentar antes da próxima colheita, apesar de o regime comunista de Pyongyang considere garantir o alimento sua principal prioridade.

Em todo caso, o responsável do PAM informa que, por enquanto, "ainda não existe o risco de uma nova onda de fome, mas se a tendência continuar, a desnutrição grave estará muito disseminada".

"O problema é o acesso aos alimentos, ao sistema de distribuição mais que à produção agrícola", consideram certos observadores.

O PAM, no entanto, destaca como depois de boas colheitas registradas em 2005, 2006 foi um ano "muito difícil" e 2007 também se anuncia crítico.

Sobretudo porque às inundações de 2006 se somaram as sanções internacionais como a suspensão das ajudas sul-coreanas e a diminuição da ajuda chinesa depois que Pyongyang realizar, no outono deste ano, seu primeiro teste de uma bomba nuclear.

Apesar de Seul ter acabado de retomar seus fornecimentos de arroz aos vizinhos norte-coreanos, o PAM criticou a falta de entusiasmo das doações internacionais a Pyongyang.

Em 2007, os países doadores só prometeram 12.000 toneladas. O organismo da ONU só recebeu 20% do financiamento de seu atual programa, com o que só consegue ajudar 3% da população (equivalente a 600.000 norte-coreanos) contra sua meta inicial de 1,9 milhão de pessoas.

Além disso, o PAM também denunciou que a ajuda internacional reflita um fenômeno de "sanções escondidas", pois "em boa parte está relacionada com as negociações" sobre o programa nuclear, critica De Margerie.

"Mas um bebê de oito meses ou uma mulher grávida não fazem política. É a população civil mais vulnerável a que paga o preço", resume.

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