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15/05/2007 - 18h11

Grampo telefônico ilegal abre novo escândalo no governo colombiano

BOGOTÁ, 15 maio 2007 (AFP) - Piorou a situação do governo do presidente Alvaro Uribe, na Colômbia, que enfrenta um escândalo por vínculos de parlamentares governistas com grupos paramilitares, após uma nova polêmica deflagrada por gravações telefônicas não autorizadas.

Os grampos, que Uribe garante não ter autorizado, tinham o objetivo de espionar a oposição, jornalistas e o próprio governo, revelou o ministro da Defesa, Juan Manual Santos.

Diante destas gravações, que vieram à tona no domingo pela revelação na revista "Semana" de conversas por telefone de homens de confiança de vários chefes paramilitares desmobilizados e na prisão, o presidente Uribe removeu toda a cúpula da Polícia Nacional.

Analistas consultados pela AFP concordaram em apontar que a reação de Uribe certamente o protegerá perante a opinião pública nacional, dada sua alta popularidade, mas trará um grande desgaste político para as eleições regionais de outubro.

Também consideram, em geral, que este novo escândalo vai afetar sua imagem na comunidade internacional, "pela gravidade de que um fato desta natureza, próprio dos regimes ditatoriais, se dê em um governo democrático".

O cientista político e catedrático da Universidade Javeriana de Bogotá Carlos José Herrera destacou que desde que Uribe foi reeleito (em maio de 2006), "não teve folga pela sucessão de escândalos: a controversa negociação com paramilitares, vínculos de políticos com estes grupos e espionagem telefônica".

Por isso, considerou que, assim como nos casos anteriores e levando-se em conta a reação de Uribe de remover o alto comando da polícia, "o efeito teflon vai agir novamente sobre o presidente, porque a opinião pública vê que reagiu, tirando 12 generais (da Polícia)".

Embora a oposição "vá capitalizar o escândalo", acrescentou Herrera, isso não terá muito efeito, "porque as pessoas ainda têm muita esperança em Uribe".

"Não sei quanto tempo isso vai durar", alertou o analista.

Para o diretor de Ciências Políticas da Universidade Javeriana da cidade de Cali (sudoeste), Fernando Giraldo, este episódio do grampo significará uma perda de imagem internacional e, no âmbito nacional, também "terá um alto custo político".

"Em nível nacional, ele (Uribe) vai conseguir escapar das conseqüências pela alta popularidade, mas o efeito se refletirá nas eleições (municipais) de outubro e em sua capacidade de governabilidade", disse à AFP.

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