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15/05/2007 - 18h54

Santiago vive pior crise de contaminação desde 1999

=(INFOGRAFIA)= SANTIAGO, 15 mai (AFP) - Santiago do Chile, uma das três cidades mais poluídas da América Latina, está mergulhada há três dias na pior crise de contaminação dos últimos oito anos, sem que os especialistas cheguem a um consenso sobre as causas que levaram a uma intensificação do fenômeno.

A capital chilena vivia nesta terça-feira seu sexto dia consecutivo sob condições de "alerta ambiental", que restringem a circulação de veículos e fontes de emissões, três dias depois de a contaminação do ar superar o nível 400 do Índice de Qualidade do Ar Particulado (ICAP), considerado perigoso para a saúde.

No sábado, uma estação de monitoração da comuna de Pudahuel, no oeste de Santiago, atingiu o nível 409, o mais elevado desde 25 de junho de 1999, quando o indicador superou o nível 500.

A alta contaminação se mantém em Santiago - que junto com a Cidade do México e São Paulo são as cidades mais poluídas da América Latina - apesar das medidas restritivas e da implementação, em fevereiro, de um novo plano de transportes que prometia ser benéfico para o meio ambiente.

O sistema deveria reduzir em quase a metade os ônibus em circulação em Santiago, retirando os veículos mais antigos e poluientes, embora diante das reclamações dos passageiros, as autoridades tenham restabelecido várias linhas.

Uma série de medidas restritivas foram implementadas na última década na capital, como a proibição de instalar lareiras, o uso obrigatório de catalisadores nos carros e a mudança das fábricas mais poluentes.

"Claramente não vencemos ainda a batalha contra a contaminação", reconheceu a ministra chilena do Meio Ambiente, Ana Lya Uriarte, que atribuiu o agravamento da situação à falta de comprometimento da população.

"As pessoas acendem lareiras, infringem a restrição veicular, não há um compromisso real", disse a ministra.

Para o ex-presidente chileno, Ricardo Lagos, enviado especial das Nações Unidas para a mudança climática, a restrição das remessas de gás natural da Argentina incentivou o uso de petróleo e outros combustíveis mais contaminantes.

"Com a forte diminuição das remessas de gás, as indústrias, em particular, precisam operar com base no petróleo e em outros combustíveis. Portanto, a matriz energética está mudando fortemente", disse.

"Solucionaremos os problemas de contaminação quando tivermos gás", acrescentou o ex-presidente.

A Argentina é o único fornecedor de gás natural para o Chile, que o emprega para gerar 47% da eletricidade que consome. Há três anos, o país vizinho restringiu à quase a metade suas remessas para o Chile, forçando várias centrais elétricas a reconverter suas operações a gasóleo ou carvão.

Uma série de atividades de queimas noturnas clandestinas estariam agravando a situação, sobretudo esta semana, explicou o professor do Departamento de Física da Universidade de Santiago, Patricio Pérez.

"É preciso investigar algumas atividades noturnas que dispararam os índices de contaminação", disse Pérez.

O problema em Santiago se agrava pela localização geográfica da cidade, situada numa planície semi-úmida e cercada de montanhas, que impedem sua ventilação.

Para o resto da semana, os prognósticos não são bons, pois não se prevê uma melhora das condições de ventilação, nem a incidência de chuvas.

"A qualidade do ar se manterá regular na quarta-feira e será ruim na quinta e na sexta-feira", explicou o chefe de turno do Serviço de Meteorologia, Cristián Sandoval.

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