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16/05/2007 - 18h24

UE diz que financiamento público é necessário para salvar sistema Galileu

Por Lorne Cook=(FOTO)= BRUXELAS, 16 mai (AFP) - A Comissão Européia declarou nesta quarta-feira que a União Européia deve injetar uma grande quantia de dinheiro público no Galileu, sistema europeu de navegação via satélite, para salvá-lo da contenda entre investidores do setor privado.

A Comissão reclamou que a complexidade técnica do projeto, o tempo e os custos necessários para a construção e os obstáculos enfrentados pelos investidores foram mal calculados e que nenhum atraso adicional será permitido.

O relatório aponta que "cinco anos já foram perdidos em relação às previsões iniciais de prazos e custos".

"Tivemos muitos atrasos, não podemos ter mais", afirmou o comissário de Transportes da UE, Jacques Barrot. "O potencial do Galileu não será percebido apenas porque ele chegará tarde demais".

A intenção do Galileu, cujo projeto envolve 30 satélites, é competir com o Sistema de Posicionamento Global (GPS), desenvolvido pelos Estados Unidos e mantido pelo exército americano, muito utilizado por usuários de carros, barcos e aviões, além de cartógrafos, pescadores e pesquisadores científicos.

Mas os atrasos só se acumularam enquanto membros do consórcio brigavam entre si. Do grupo de investidores privados se esperava a construção e a manutenção do projeto, que a União Européia espera ver funcionando até 2012.

Às oito empresas - AENA, Alcatel, EADS, Finmeccanica, Hispasat, Inmarsat, TeleOp e Thales - foi dado um prazo até o dia 10 de maio para resolver os problemas, mas uma semana depois nenhuma ação foi tomada.

A Comissão, o corpo executivo da União Européia, teme que um atraso no lançamento do Galileu possa prejudicar o futuro do projeto, já que existe uma forte competição por parte de Rússia e China, além de um poderoso sistema GPS III que pode entrar em operação já no ano de 2013.

Segundo o relatório, se a contenda continuar, conforme previsto, a parceria público-privada "não começaria antes de meados de 2009 e sua implantação completa seria atrasada até 2014 ou depois".

O documento também afirma que assumir a fase de construção do projeto daria maior segurança a seu andamento, além de um melhor aproveitamento dos investimentos e a garantia de que o sistema entraria em operação mais rapidamente.

"O cenário era bastante prejudicial. Mudaremos esse cenário para que os elementos prejudiciais sejam eliminados", disse Barrot.

Bruxelas estima que seriam necessários pelo menos 10 bilhões de euros (13,6 bilhões de dólares) em financiamento público até 2030 - incluído aí um período de 20 anos durante o qual as indústrias fariam a manutenção do sistema.

Mas Barrot disse que grande parte da quantia - cerca de 8 bilhões de euros, de acordo com as estimativas da Comissão - seriam recuperados futuramente.

O Galileu deve permanecer sob controle civil, mas é possível que o exército, o setor de segurança ou mesmo a polícia deseje fazer uso dele, trazendo mais dinheiro para o projeto.

"Acreditamos que sairá mais barato e haverá menos riscos, uma vez que tudo será esclarecido", afirmou. "Assumiremos o desafio da construção, mas o consórcio terá o desafio de operá-lo".

Como opção, o braço executivo da UE também sugeriu que os 27 países do bloco financiem a construção dos primeiros 18 satélites e a indústria assumirá o resto, se possível.

A escolha de cenário deve ser feita pelos ministros de transportes da UE em seu próximo encontro formal, em Bruxelas, entre 7 e 8 de junho.

Enquanto isso, enquanto a Europa espera seus projetos de navegação de alta tecnologia, o sistema EGNOS entrará em operação em 2008, melhorando a qualidade do sinal do GPS para localizar um ponto num raio de cinco metros.

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