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17/05/2007 - 18h50

Astronautas treinam para missão lunar no fundo do mar

Por Patrick Moser=(FOTOS)= LABORATÓRIO SUBMARINO AQUARIUS, EUA, 17 mai (AFP) - Cercados por amistosos tubarões e curiosas tartarugas, astronautas da Nasa trabalham no fundo do mar, a 18 metros de profundidade, para se preparar para futuras missões à Lua.

Usando enormes capacetes amarelos e roupas de mergulho, mas sem nadadeiras, o astronauta José Hernández - filho de mexicanos, nascido na Califórnia - e o cirurgião de vôo Josef Schmid dão saltos como se estivessem na Lua, enquanto montam uma estrutura tubular no fundo do mar.

Dentro do Laboratório Submarino Aquarius, dois braços mecânicos teleguiados a milhares de quilômetros, simulam uma cirurgia.

A operação submarina é parte das "Missões de Operação em Ambientes Extremos 12" da Nasa (NEEMO 12), para estudar conceitos de medicina espacial, técnicas para caminhar na Lua e outros projetos de exploração.

"Em última instância, o que estamos tentando fazer é desenvolver conceitos operacionais para missões lunares", disse Bill Todd, gerente de projeto das NEEMO 12.

A equipe, integrada por dois astronautas, um cirurgião de vôo, um médico da Universidade de Cincinnati e dois técnicos, ficará 12 dias debaixo d'água.

Seu lar temporário é o Aquarius, um cilindro incrustado no coral que lembra o "submarino amarelo" dos Beatles.

Situado a cinco quilômetros e meio da costa de Key Largo (sul da Flórida), o Aquarius é o único laboratório e hábitat submarino permanente do mundo.

"Nós consideramos este um ambiente extremo", disse Todd, da Aliança Espacial Unida, que opera a frota de ônibus espaciais da Nasa.

Vírus latentes nos corpos destes mergulhadores se replicam muito mais rápido no fundo do mar do que na atmosfera terrestre, de forma similar ao que ocorre no espaço.

"Não há outro local conhecido onde temos este tipo de resposta", explicou Todd, vestido com uma camiseta com os dizeres: "Uma pequena pernada para o homem, um grande passo para a humanidade", em alusão às palavras de Neil Armstrong, ao pisar pela primeira vez na Lua.

A Nasa espera que estas e outras missões NEEMO no Aquarius eventualmente ajudem os cientistas a compreender porque os vírus se multiplicam mais rapidamente no espaço do que na Terra.

A outra meta da missão é avaliar o uso da tele-robótica em operações a distância durante vôos espaciais, simulando as intervenções cirúrgicas com os dois braços mecânicos.

Os mergulhadores também tentam resolver várias pendências que a Nasa tem antes de retomar as missões tripuladas para a Lua e, eventualmente, para Marte.

Durante suas "caminhadas lunares" no oceano, os mergulhadores-astronautas levam pesos para simular a gravidade lunar, que corresponde à sexta parte da da Terra.

Hernández e Schmid parecem dois astronautas na Lua, enquanto dão saltos no fundo do mar e, apressados, puxam, empurram e movem estruturas tubulares como parte de um exercício de construção.

Eles também coletam pequenos pedaços de coral morto como fariam com amostras se estivessem na Lua.

Eles dedicam várias horas ao que, no jargão dos astronautas, se conhece como "atividades extra-veiculares", e voltam para casa, o Aquarius, um módulo mais apertado que a Estação Espacial Internacional (ISS), segundo os que visitaram as duas instalações.

O cilindro de 81 toneladas tem seis camas, ducha, banheiro, forno microondas, geladeira e computadores ligados à base em Key Largo.

Os tripulantes recebem oxigênio mediante um "cordão umbilical", procedente de uma bóia de apoio colocada sobre o cilindro.

Em caso de emergência, abandonar não é uma opção, tal como acontece no espaço.

Além disso, devido à longa permanência que ficam debaixo d'água, os astronautas têm seus corpos saturados de nitrogênio.

Assim, antes de subir à superfície, a pressão interna do Aquarius é reduzida gradativamente durante 17 horas até níveis similares aos da superfície. Depois, pode emergir rapidamente, sem problemas.

Como acontece em mergulhos tradicionais, uma subida rápida sem descompressão seria letal para os membros da equipe.

Na metade de seu exercício, de 7 a 18 de maio, os astronautas tiveram uma surpresa que os tirou da rotina e da monotonia da comida seca: a tripulação de superfície enviou para eles uma pizza recém tirada do forno, embalada a vácuo.

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