UOL Notícias Notícias
 

17/05/2007 - 16h26

Festival de Cannes sai em busca do espectador do futuro

Por Sophie Makris=(FOTOS)= CANNES, 17 mai (AFP) - Em meio às comemorações dos 60 anos do Festival de Cannes, os profissionais do cinema tentam imaginar o perfil do espectador do futuro, diante da enxurrada de tecnologias digitais: ele será mais exigente, especializado, criativo e mais à vontade diante na tela do computador do que nas salas escuras.

No ano de 2026, o Festival de Cannes, que completará 80 anos, será inaugurado com uma nova versão de "My Blueberry nights", feita em um quarto de estudantes, enquanto que a subida das celebridades em traje de gala pela célebre escadaria do Palácio dos Festivais será "transmitida" exclusivamente pelo Second Life.

Calma, esta é apenas uma projeção exagerada proposta em Cannes por uma dezena de especialistas reunidos pela direção do Festival para decifrar o impacto da revolução digital no cinema.

O grande número de vídeos por encomenda (VoD), de redes comunitárias como Myspace e YouTube, de sites de buscas e outros recursos pressupõem uma nova dimensão no universo cinematográfico: a interatividade.

"Os adolescentes de hoje incorporam em seus sites pessoais imagens de filmes que admiram, como antes poriam cartazes nas paredes de suas casas", comenta Danah Boyd, pesquisadora americana que estuda as práticas de jovens na internet.

"Eles não acham que roubam imagens. Para esta geração, é completamente normal pegar conteúdos dos filmes e combiná-los; a internet se tornou o lugar de sua socialização, como antes era ir ao cinema com os amigos", continua a acadêmica.

Os grandes produtores de cinema entenderam muito bem e desenvolvem conteúdos específicos para a rede destinados a espectadores em potencial. O cinema "de autor", no entanto, não descobriu ou não quer encontrar seu lugar neste diálogo com ares de marketing.

Logo, corre-se o risco de que o universo cinematográfico dos jovens fique reduzido na internet aos "blockbusters", como são chamadas as grandes produções que monopolizam a maior parte dos cinemas, na visão de estudiosos.

Como permitem apresentar aos cinéfilos uma oferta individualizada, os suportes digitais também originam uma segmentação crescente de espectadores, acredita Emmanuel Ethis, sociólogo de cinema.

"A idéia do grande público no cinema está indo pelos ares", afirma. "Antes, era preciso conhecer uma série de filmes para se ter uma referência. Esta obrigatoridade desapareceu para dar lugar a uma especialização cada vez maior em torno de um gênero cinematográfico, tal como o ilustra a multiplicação de páginas sobre o tema na rede".

Cada vez mais ativo em sua relação com o cinema, o espectador pode, inclusive, graças às novas tecnologias, também se tornar um criador de imagens.

"Nunca foi tão fácil fazer um filme. Nunca a imposição técnica nem o custo foram tão baixos", ressalta Michael Gubbins, da revista especializada inglesa Screen International.

Desde os vídeos caseiros feitos pelos amigos a versões de filmes por artesãos apaixonados, a difusão da prática cinematográfica entre os aficcionados modifica sua percepção dos filmes profissionais.

"É como quando a gente começa a cozinhar: já não aprecia da mesma forma o que a gente come", compara Emmanuel Ethis, convencido de que as novas tecnologias vão "refinar" o gosto do espectador cinematográfico.

As conclusões do debate serão entregues aos ministros europeus de Cultura, que se reúnem em Cannes neste sábado, Dia da Europa.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    14h29

    0,94
    3,288
    Outras moedas
  • Bovespa

    14h35

    -1,85
    61.478,43
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host