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18/05/2007 - 17h39

ONU: não há justificativa para falta de ação em relação às mudanças climáticas

por Geraldine Schwarz BONN, Alemanha, 18 mai (AFP) - Os governos devem agir de forma decisiva para evitar uma catástrofe climática global, advertiu nesta sexta-feira o secretário-executivo da ONU para Assuntos Climáticos, após a rodada de negociações que começou a preparar terreno para o sucessor do Protocolo de Kyoto.

"Não há nenhuma desculpa que ainda possa ser usada pelos governos para justificar a falta de ação em relação às mudanças climáticas. Já temos bastante tecologia para reduzir as emissões", declarou Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), ao fim de uma conferência de duas semanas na cidade alemã de Bonn.

Uma outra conferência, a ser realizada na ilha indonésia de Bali, em dezembro, terá o objetivo de esgotar as discussões a respeito de um novo tratado para limitar as emissões de gases causadores do efeito estufa. O novo acordo servirá para substituir o protocolo de Kyoto, cujo prazo expira em 2012.

A questão principal é: qualquer acordo novo será redundante a menos que consiga incluir os Estados Unidos, que não ratificaram o protocolo de Kyoto, e países poluidores em desenvolvimento acelerado, como a China e a Índia.

De Boer disse que a reunião em Bonn, à qual compareceram 1.800 especialistas, serviu para mostrar o caminho em direção a futuras negociações frutíferas.

"Os avanços da conferência vão permitir que mantenhamos o foco em Bali no que está por vir depois de 2012", afirmou.

"Aumentamos nossas chances de expandir positivamente as negociações pós-2012, pois conseguimos resolver algumas questões importantes e deixar bem claro quais as peças-chave de um futuro acordo que devem ser priorizadas", acrescentou.

Entre os pontos discutidos pelos 191 participantes da convenção das Nações Unidas - dos quais 173 são signatários do Protocolo de Kyoto - estavam como transferir o uso de tecnologias "limpas" e como deter o desmatamento, processo responsável por mais de 20% das emissões de gás causadores do efeito estufa, segundo especialistas.

"O fato de grupos empresariais europeus, americanos e australianos aqui em Bonn estarem insistindo junto ao governo de seus países para que sejam implantadas metas de longo-prazo e com respaldo legal para reduzir as emissões é um forte sinal de que o mercado de carbono está sendo considerado uma parte importante do acordo de 2012", comemorou De Boer.

A venda de cotas de carbono funciona partindo do princípio de que os governos devem limitar os níveis de emissão de gases para então permitir às companhias que obtenham licenças para emitir uma certa quantidade de poluentes.

Se esse limite for ultrapassado pela empresa, ela deve comprar licenças das companhias que tiverem conseguido reduzir suas emissões - e que, por sua vez, seriam recompensadas pagando menos pelas cotas.

Por não ter ratificado o Protocolo de Kyoto, os EUA não participam do mercado de cotas de carbono.

Um alto oficial americano afirmou nesta semana que o presidente George W. Bush acredita que a tecnologia desenvolvida pelo setor privado terá um papel mais importante na redução do ritmo do aquecimento global do que a imposição de limites para as emissões de carbono defendida pela União Européia.

"É a opinião do presidente: a tecnologia é a solução", declarou durante uma reunião da Agência Internacional de Energia (AIE), em Paris, o secretário de Energia americano, Samuel Bodman.

A discussão sobre mudanças climáticas também deve criar polêmica no encontro do G-8, grupo dos oito países mais industrializados do mundo, que acontecerá na Alemanha entre os dias 6 e 8 de junho.

De Boer disse à AFP que os países do G8 assumiram a liderança.

"Conseguir o apoio dos Estados Unidos é absolutamente fundamental, além de ser essencial para incentivar os grandes países emergentes a também partirem para a ação no que toca às mudanças climáticas. Mas para isso, os países mais industrializados devem mostrar iniciativa", avaliou.

O chefe da delegação chinesa que foi ao encontro de Bonn, Ji Zou, disse que a relutância dos países desenvolvidos em fornecer tecnologia às nações em desenvolvimento - a chamada tranferência de tecnologia - é um atraso nos esforços para reduzir as emissões de carbono.

"Conseguimos alguns progressos, mas as nações industrializadas estão relutantes. A atitude delas não é suficientemente positiva", afirmou Ji à AFP.

"Sentimos falta de oportunidades para colocar em prática métodos 'limpos' de construção e produção", continuou.

A conferência de Bonn foi uma primeira chance de observar a reação dos especialistas após a divulgação das descobertas publicadas no quarto relatório da ONU sobre mudanças climáticas, lançado em Bangkok no último dia 4 de maio.

O documento conclui que os países têm dinheiro e tecnologia suficientes para salvar o mundo das conseqüências mais devastadoras do aquecimento global, mas faz um alerta: tudo deve ser iniciado o mais rápido possível para que as ações surtam efeito a tempo.

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