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18/05/2007 - 12h42

Projeto de reforma migratória nos EUA é recebido com reservas pelas bases

Por Paula Bustamante=(FOTOS)= LOS ANGELES, 18 mai (AFP) - O projeto de reforma migratória delineado na quinta-feira por democratas e republicanos nos Estados Unidos provocou reticências nos movimentos de base da comunidade hispânica, convencida de que "não trabalharam por uma lei com tantos obstáculos".

"É positivo que ambos os partidos tenham conseguido chegar a um acordo no projeto de reforma para começar o debate no Senado, mas existem muitos pontos que precisam ser retificados e melhorados. De maneira alguma deixaremos que ele fique assim", afirmou à AFP, Angela Salas, porta-voz da CHIRLA (Coalition for Human Imigrants Rights in Los Angeles).

Como Salas, os líderes de várias organizações defensoras dos imigrantes ilegais expressaram suas preocupações sobre o projeto que conseguiu um consenso entre os dois principais partidos dos Estados Unidos e que começará a ser debatido na próxima segunda-feira em Washington.

"É um projeto muito similar ao dos anos anteriores, que introduz novas palavras, novos conceitos, mas na essência continua deixando em estado de vulnerabilidade o trabalhador ilegal que tem uma vida feita nos Estados Unidos", alertou Nativo López, presidente do grupo Irmandade Mexicana.

"Esta medida vem com um Z que significa a revanche do Zorro na reforma migratória", ironizou López ao se referir a um ponto do projeto dedicado aos imigrantes ilegais que foram para os EUA antes de janeiro de 2007.

Para estes imigrantes seria concedido um visto denominado "Z", que poderia ser obtido caso consigam provar que têm emprego, mas só depois de pagar uma multa de 5.000 dólares. Assim, estes ilegais passariam a integrar o "sistema de pontos baseado em méritos" de forma a poder aspirar a uma residência permanente no futuro.

"Não tenho como pagar 5.000 dólares e muito menos quero um visto temporário que me obrigue a voltar para o México", afirmou Lina Bordez, de 24 anos, que imigrou ilegalmente com seu marido, faxineiro na Califórnia, onde vivem há sete anos e têm três filhos "americanos".

Bordez, dona-de-casa "por enquanto", participou na noite de quinta-feira de uma passeata no centro de Los Angeles ao lado de 5.000 pessoas, na maioria ilegais, que reivindicaram uma reforma migratória justa e defenderam o direito a protestar, depois da repressão policial de 1° de maio.

Por coincidência, democratas e republicanos haviam anunciado, poucas horas antes, um acordo sobre o tema que abre a via do debate legislativo a partir da próxima semana.

"Deixar de lado medidas sobre a reunificação familiar (pais ou mães deportados), entre outros aspectos, relegaria aos latino-americanos e demais imigrantes um futuro de exploração e isolamento", considerou a Federação Hispânica em um comunicado assinado por seis grupos de migrantes.

"As recentes negociações entre a Casa Branca e o Senado têm levado os americanos a um caminho errado", advertiram, afirmando que "não poderiam permanecer passivos a uma proposta da Casa Branca" que "hipotecaria o futuro" do país.

Segundo cálculos, existem 12 milhões de imigrantes ilegais nos Estados Unidos, em sua maioria hispânicos, uma comunidade que é a maior minoria do país e que conta com 44,3 milhões de pessoas. Os migrantes hispânicos demonstram intenção de "continuar o que começamos e enfocar o diálogo na reforma migratória, especialmente agora que o processo está se complicando", opinou Jorge Mario Cabrera, porta-voz do Centro de Recursos Centro-Americanos (Carecen).

"Vamos trabalhar construtivamente com ambos os partidos para melhorar a lei, a fim de que o produto final seja uma lei que sirva realmente aos norte-americanos e aos ideais de nossa nação", explicou em Washington Clarisa Martínez, porta-voz da Coalizão por uma Reforma Ampla.

Multas, altas exigências intelectuais, vulnerabilidade do camponeses ilegais, solicitações para regulamentar a rede dos estatutos dos países de origem são pontos de reivindicação dos movimentos de apoio aos imigrantes.

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