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22/05/2007 - 18h24

Apesar dos avanços, a malária se mantém como um desafio para a saúde pública

Por Jean-Louis Santini WASHINGTON, 22 mai (AFP) - Apesar dos avanços na luta contra a malária, a doença continua sendo devastadora, sobretudo na África, o que torna urgente a melhoria das infra-estruturas de saúde pública e do acesso aos tratamentos existentes, segundo vários estudos publicados nesta terça-feira.

Em uma edição especial sobre a malária e as ações adotadas para combatê-la, a publicação especializada Journal of the American Medical Association (JAMA) avaliou que "o desenvolvimento de uma vacina é, provavelmente, necessária para prevenir a infecção". "A recente decodificação do genoma do parasita causador da doença pode abrir o caminho para novos enfoques terapêuticos", acrescentou.

Mas até agora, "poucos novos medicamentos estão perto de estar prontos" para combater esta antiga doença, que mata anualmente mais de um milhão de pessoas no mundo, a maioria na África, constatou o JAMA.

A doença é a primeira causa de morte de crianças menores de 5 anos, com uma vítima a cada 30 segundos.

Esta situação exige uma maior generalização e racionalização do uso dos medicamentos disponíveis, dos instrumentos de diagnóstico, assim como das formas de prevenção, como os mosquiteiros, e das campanhas de erradicação dos mosquitos, afirmou a médica Catherine DeAngelis, editora-chefe da revista.

O JAMA de 23 de maio publicou no total seis estudos sobre a doença, quase todos realizados na África.

O primeiro, feito em Uganda, mostra que a combinação de dois medicamentos (artemeter e lumefantrina), usada desde 1998, é a mais eficaz contra a forma mais grave e freqüente da doença, em comparação com outros dois coquetéis, com apenas 1% de casos de reaparecimento dos sintomas.

Para as outras duas combinações, a amodiaquina-sulfadoxina-pirimetamina e a amodiaquina-artesunato, estas taxas foram de 14,1% e 4,6%, respectivamente.

O estudo foi realizado entre novembro de 2004 e junho de 2006 pelo médico Grant Dorsey, da Universidade da Califórnia, em 601 crianças ugandenses de 1 a 10 anos.

Os coquetéis substituíram as monoterapias como estratégia para combater a resistência aos medicamentos desenvolvida pelo parasita em um número crescente de doentes.

"Em vista dos recursos disponíveis, como os exames de diagnóstico rápido e os recursos arrecadados pela associação da ONU contra a malária (mais de um bilhão de dólares em 2006), parece que o objetivo de tratar todas as crianças africanas é realizável", informou Dorsey.

"Mas para estabelecer políticas de controle eficazes e duradouras da malária será preciso integrar os tratamentos atuais com estratégias de prevenção", concluiu.

Outro estudo feito em 104 centros médicos da Zâmbia, em 2006, mostra uma subutilização dos exames de diagnósticos.

Além disso, com muita freqüência pacientes com febre, cujo teste deu negativo ou que não foram examinados, recebem prescrição de terapias combinadas contra a malária, o que contribui para aumentar a resistência do parasita aos tratamentos, criticam os autores da pesquisa.

Quanto à prevenção, outro estudo demonstra que em 2003 só 6,7% das residências nos países da África subsaariana com alto risco de malária tinham mosquiteiro tratamento quimicamente.

Segundo seus autores, seria preciso distribuir de 130 a 264 milhões de mosquiteiros para alcançar a meta de 2007 de proteger 80% das 133 milhões de crianças menores de cinco anos que vivem em lares de alto risco.

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