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22/05/2007 - 18h27

Morre o Prêmio Nobel de Física francês Pierre-Gilles de Gennes

=(FOTOS ARQUIVO)= PARIS, 22 mai (AFP) - O físico francês Pierre-Gilles de Gennes, Prêmio Nobel de Física em 1991 e cujas pesquisas tiveram aplicações práticas, como na aplicação de colas superaderentes ou nas telas planas de cristal líquido, morreu na sexta-feira aos 74 anos, anunciou sua família nesta terça-feira.

Ele se definia como um "físico do dia a dia", que tentava olhar para tudo com uma aplicação prática.

Apóstolo do conhecimento multidisciplinar, este professor honorário do Colégio da França e membro da Academia de Ciências do país, sempre se dividiu entre a física e a química.

Ele trabalhou sobre o magnetismo, os supercondutores, a hidrodinâmica, os polímeros, os cristais líquidos, os géis e os adesivos, entre outras áreas.

Pierre-Gilles de Gennes descobriu que os métodos desenvolvidos para estudar os fenômenos da ordem dos sistemas poderiam se ampliar para formas mais complexas de matéria, em particular os cristais líquidos e os polímeros.

Qualificado de "Isaac Newton do nosso tempo" pela Academia Sueca quando lhe concedeu o prêmio, o cientista sempre tentou compreender a ordem e a desordem tal como existem na natureza para entender melhor o funcionamento dos fenômenos e, assim, utilizá-los.

Entre outras coisas, conseguiu descrever matematicamente a passagem da ordem à desordem no nível molecular.

Ele gostava de partilhar seu saber e sua experiência com os mais jovens. Assim, já na posse do prêmio Nobel, ele deu várias conferências em instituições de ensino.

Ao passar da pesquisa fundamental à aplicada, De Gennes trabalhou sobre os cristais líquidos, o que permitiu descobrir suas propriedades eletroópticas, estudos que levaram à fabricação de telas planas para televisores, calculadores e relógios.

Seu livro, "The Physics of Liquid Crystals", publicado em 1974, é considerado uma obra de referência.

Para explicar suas pesquisas aos neófitos, não hesitava em comparar os cristais com maçãs dispostas numa cesta, que são sacudidas quando se chacoalha a cesta.

Seus trabalhos também o fizeram se interessar nos géis e nas colas, e em todos os fenômenos de interface, o que resultou na fabricação de colas de contato (como a supercola), com importantes aplicações industriais, permitindo substituir e simplificar a técnica de recalque em muitos casos.

Pierre-Gilles de Gennes era um aficionado da pintura e do desenho e era fã da arte do Extremo Oriente, particularmente da estética japonesa.

Ele chegou até mesmo a atuar no cinema, em 1997, em uma adaptação da peça de teatro "Les Palmes de M. Schutz", dirigida por Claude Pinoteau e baseada na vida de seus célebres antecessores, Pierre e Marie Curie, descobridores do polônio e do rádio.

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