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23/05/2007 - 18h04

Observatório Virgo entra em fase operacional, em busca de ondas gravitacionais

Por Frédéric Garlan=(FOTOS)= PISA, Itália, 23 mai (AFP) - Quatro anos depois de ser inaugurado, o observatório Virgo finalmente está em fase operacional, mas seus criadores franceses e italianos sabem que é necessário otimizar o equipamento para atingir o objetivo de detectar ondas gravitacionais.

Vaticinadas por Albert Einstein, mas nunca observadas, estas deformações do espaço-tempo são causadas por movimentos violentos de corpos celestes maciços.

Assim como uma pedra atirada num lago provocará deformações em sua superfície, as supernovas (explosões estelares) ou os buracos negros deformariam a textura do universo, criando ondas que se deslocam à velocidade da luz.

A construção do Virgo, instalado na cidade italiana de Cascina, perto da Torre de Pisa, de onde Galileu fez suas célebres experiências sobre a gravidade, custou 150 milhões de euros ao Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS) francês e ao Instituto Nacional de Física Nuclear (INFN) italiano.

Desde meados de maio, o Virgo começou suas observações e produziu dados de qualidade comparável à de outros instrumentos existentes: os dois observatórios americanos Ligo e o Geo alemão.

"Esta longa implantação reflete simplesmente a complexidade do nosso detector", disse o cientista Benoît Mours (CNRS). Embora a gravidade seja a força fundamental do Universo que conhecemos há mais tempo, também é a mais desconhecida, já que é, amplamente, a menos potente.

O observatório Virgo é formado por um laser, cujo feixe de luz se divide em dois e se dirige para dois túneis perpendiculares com três quilômetros de comprimento.

Segundo diz a teoria, a passagem de ondas gravitacionais deve "alongar" um dos túneis e "contrair" o outro.

Espera-se que o Virgo meça esta dilatação-contração dos dois túneis com a precisão de um bilionésimo de diâmetro de átomo.

Nos últimos quatro anos, a equipe encarregada do observatório tomou consciência de seus limites. "Acreditávamos, a princípio, que uma nova supernova podia dissipar 10% de sua energia sob a forma de ondas gravitacionais. Entretanto, os teóricos refizeram seus cálculos e talvez se aproxime mais de 1 por 100 ou 1 por 1000", reconheceu Mours.

Portanto, a campanha atual não durará mais que quatro meses, ao longo dos quais se aplicará uma primeira modernização, ao custo de dois milhões de euros, o que melhorará a sensibilidade do Virgo.

Atualmente, os cientistas estimam ter uma possibilidade em cem de detectar no prazo de um ano as ondas gravitacionais provocadas por estrelas de nêutrons. As melhorias previstas aumentam suas chances até uma por ano e até 40 por ano numa segunda fase, prevista para 2014.

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